UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Quando a função renal é reduzida por hipovolemia ocorre o aumento dos níveis de ureia e creatinina, que podem ser proporcionalmente diferentes. A Creatinina sérica é mais dependente da taxa de filtração glomerular, enquanto um aumento desproporcional da ureia pode resultar de: I. Hemorragia digestiva. II. Estado de catabolismo. III. Redução da ingesta proteica. Selecione a alternativa que contém os itens CORRETOS:
↑ Ureia desproporcional à creatinina → IRA pré-renal, hemorragia digestiva ou catabolismo elevado.
A creatinina sérica reflete primariamente a taxa de filtração glomerular. Já a ureia, além da filtração, é influenciada pela produção hepática de nitrogênio (degradação proteica) e pela reabsorção tubular. Um aumento desproporcional da ureia em relação à creatinina (razão Ureia:Creatinina > 20:1) sugere hipovolemia (IRA pré-renal), hemorragia digestiva ou estados de catabolismo intenso.
A avaliação dos níveis séricos de ureia e creatinina é fundamental na prática clínica para monitorar a função renal. Enquanto a creatinina é um marcador mais fidedigno da taxa de filtração glomerular (TFG), a ureia é influenciada por diversos fatores além da filtração, incluindo sua produção hepática e reabsorção tubular. Compreender a relação entre esses dois marcadores é crucial para diferenciar as causas de lesão renal aguda (LRA), especialmente a pré-renal. Na LRA pré-renal, devido à hipoperfusão renal, há um aumento da reabsorção tubular de sódio e água, que arrasta a ureia, resultando em um aumento desproporcional da ureia em relação à creatinina (razão Ureia:Creatinina > 20:1). Além da hipovolemia, outros fatores podem elevar a ureia de forma desproporcional, como a hemorragia digestiva (pela absorção de nitrogênio do sangue digerido) e estados de catabolismo proteico intenso (sepse, trauma, uso de corticoides), que aumentam a produção de ureia. Por outro lado, a redução da ingesta proteica ou doenças hepáticas graves diminuem a produção de ureia. Portanto, a interpretação isolada desses valores pode ser enganosa. É essencial correlacionar os achados laboratoriais com o quadro clínico completo do paciente para um diagnóstico e manejo adequados da disfunção renal.
A creatinina é um produto do metabolismo muscular, filtrada livremente pelos glomérulos e pouco reabsorvida ou secretada, sendo um bom marcador da taxa de filtração glomerular. A ureia, por sua vez, é um produto do metabolismo proteico hepático, filtrada e significativamente reabsorvida nos túbulos renais, especialmente em estados de hipoperfusão renal (pré-renal).
Na hemorragia digestiva, o sangue no trato gastrointestinal é digerido e absorvido, liberando proteínas e nitrogênio. Esse nitrogênio é metabolizado no fígado, aumentando a produção de ureia. Além disso, a hipovolemia associada à hemorragia pode causar uma lesão renal aguda pré-renal, aumentando a reabsorção tubular de ureia.
Estados de catabolismo intenso, como sepse, trauma grave ou queimaduras, levam a uma degradação acelerada de proteínas corporais. Essa maior quebra proteica resulta em uma produção aumentada de nitrogênio, que é convertido em ureia no fígado, elevando seus níveis séricos de forma desproporcional à creatinina.
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