UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2018
Na Unidade de Saúde da Família em que você atua como médico(a), você é convidado(a) pela Agente Comunitária de Saúde (ACS) para fazer visita domiciliar para usuária que tem 28 anos de idade, ensino superior completo e pós-graduação em andamento, e seu filho, Miguel, nascido há 20 dias (recém-nascido termo; peso ao nascer = 3.500g). Você não acompanhou seu Pré-Natal nem a consulta do binômio. Segundo a ACS, até o momento, Miguel não recebeu nenhuma vacina visto que a mãe disse que: "A criança acaba de nascer e, ao invés de ir mamar e se fortalecer, vão lá e aplicam um vírus cheio de mercúrio no bebê. Eu não vou vacinar meu filho!". Caso a usuária optasse por vacinar Miguel neste momento, o que deveria ser feito? Marque a alternativa CORRETA.
BCG → Dose única ao nascer; se atrasada, aplicar até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
A vacina BCG protege contra formas graves de tuberculose e deve ser administrada precocemente. Em crianças não vacinadas, o Programa Nacional de Imunizações permite o resgate até os 5 anos incompletos.
A vacina BCG é composta pelo bacilo vivo atenuado (Mycobacterium bovis). No Brasil, sua aplicação é intradérmica no braço direito. É uma das vacinas mais tradicionais do calendário, sendo fundamental em países com alta carga de tuberculose. A hesitação vacinal demonstrada no caso clínico é um desafio crescente na atenção primária, exigindo do médico habilidades de comunicação para desmistificar conceitos errôneos sobre mercúrio e segurança biológica. O limite de 5 anos para a vacinação de rotina baseia-se na epidemiologia da doença: o maior risco de evolução para formas graves ocorre na primeira infância. Além disso, a vacina é contraindicada para imunodeprimidos graves e recém-nascidos com peso inferior a 2.000g (até que atinjam esse peso), devendo ser adiada em casos de afecções dermatológicas no local da aplicação.
De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, a vacina BCG deve ser administrada preferencialmente ao nascer, na maternidade. No entanto, se a criança não foi vacinada oportunamente, ela pode receber a dose única até a idade de 4 anos, 11 meses e 29 dias. Após os 5 anos de idade, a vacinação de rotina não é mais indicada, exceto em situações específicas de contatos domiciliares de hanseníase.
Não. A principal função da vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é proteger contra as formas disseminadas e mais graves da tuberculose, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa, que apresentam alta morbimortalidade em crianças pequenas. Ela não impede totalmente a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis nem garante proteção absoluta contra a tuberculose pulmonar do adulto.
Atualmente, o Ministério da Saúde do Brasil recomenda que não se deve revacinar crianças que não apresentaram cicatriz vacinal após a primeira dose da BCG, desde que haja comprovação de vacinação no cartão de vacinas. Estudos mostraram que a ausência da cicatriz não significa necessariamente falta de resposta imune ou ausência de proteção.
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