INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Uma paciente de 32 anos de idade vem ao retorno em seu médico de família para checar resultados de sorologias solicitadas na consulta anterior. A paciente refere 2 gestações prévias, e nega atividade sexual há mais de 1 ano, após seu divórcio. Ao checar os exames, o médico identifica o VDRL positivo à diluição de 1:2 (valor de referência: negativo) e o TPHA reagente (valor de referência: não reagente), HBsAg negativo, anti-HBc negativo, anti-HCV negativo e anti-HIV negativo. Ao exame físico, ela não apresenta nenhuma lesão genital ou extragenital. Ela afirma que realizou tratamento com penicilina na última gestação há 4 anos (relata 2 injeções em cada nádega, em 3 aplicações). O médico checa o prontuário da paciente e identifica o registro da aplicação de 3 doses de penicilina benzatina (2 400 000 UI a cada dose) durante o último pré-natal. Diante do que foi exposto, qual a conduta correta?
VDRL baixo título + TPHA reagente + tratamento adequado prévio + ausência de lesões = cicatriz sorológica.
Em pacientes com VDRL de baixo título e TPHA reagente, que já receberam tratamento adequado para sífilis e não apresentam sinais de reinfecção ou falha terapêutica, a persistência da sorologia reagente é considerada uma cicatriz sorológica. Não há indicação de retratamento nesses casos.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo Treponema pallidum, com diversas apresentações clínicas. O diagnóstico é feito por testes não treponêmicos (VDRL, RPR) que quantificam anticorpos e refletem a atividade da doença, e testes treponêmicos (TPHA, FTA-Abs) que detectam anticorpos específicos e permanecem reagentes por toda a vida, mesmo após o tratamento. A interpretação dos resultados sorológicos é crucial. Um VDRL reagente com TPHA reagente indica sífilis. No entanto, após tratamento adequado, o VDRL pode negativar ou permanecer reagente em baixos títulos (geralmente ≤ 1:4), caracterizando a cicatriz sorológica. Nesses casos, o TPHA permanece reagente. A conduta correta depende da história clínica e do tratamento prévio. Se há comprovação de tratamento adequado, ausência de lesões e títulos baixos e estáveis de VDRL, considera-se cicatriz sorológica e não há indicação de retratamento. A reinfecção é suspeitada quando há aumento de 2 ou mais diluições no VDRL ou surgimento de novas lesões.
Um VDRL de baixo título (geralmente ≤ 1:4) com TPHA reagente em um paciente com histórico de tratamento adequado para sífilis e sem evidências clínicas de reinfecção ou falha terapêutica, é frequentemente interpretado como cicatriz sorológica. O TPHA permanece reagente por toda a vida após o contato com o *Treponema pallidum*.
Cicatriz sorológica na sífilis refere-se à persistência de testes treponêmicos (como TPHA) reagentes e/ou testes não treponêmicos (como VDRL) em baixos títulos, mesmo após o tratamento adequado da infecção. Isso ocorre porque os anticorpos treponêmicos geralmente permanecem detectáveis por toda a vida, e os não treponêmicos podem não negativar completamente.
Um paciente com sífilis deve ser retratado se houver evidência de reinfecção (aumento de 2 ou mais diluições no VDRL), falha terapêutica (VDRL não diminui após tratamento ou há persistência de sintomas), ou se o tratamento anterior foi inadequado ou desconhecido. A presença de sífilis neurossífilis também exige um esquema de tratamento específico.
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