INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Em uma unidade do polo indígena onde, até o momento, não havia notificação de casos autóctones de arboviroses, um agente de combate a endemias (ACE) conduziu, para atendimento médico, um homem de 38 anos, hipertenso, com história de febre (38 °C), dores no corpo, cefaleia e ageusia havia 5 dias. Esse homem estava com pressão arterial de 120 × 80 mmHg, frequência cardíaca de 72 batimentos por minuto e frequência respiratória de 18 incursões respiratórias por minuto. A prova do laço resultou positiva.Nesse caso, a hipótese diagnóstica e a conduta a ser realizada são, respectivamente
Febre, dores, cefaleia, prova do laço positiva em área de risco → Dengue: hidratação e notificação.
A presença de febre, dores no corpo, cefaleia e prova do laço positiva, mesmo com ageusia (que pode ser um sintoma inespecífico ou de outra condição concomitante), em um contexto epidemiológico de arboviroses, aponta fortemente para dengue. A conduta inicial é hidratação, exames complementares e notificação.
A dengue é uma arbovirose de grande importância em saúde pública, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, incluindo polos indígenas no Brasil. É causada por um dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, -2, -3 e -4) e transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas até quadros graves com choque e hemorragias. A vigilância epidemiológica e a notificação de casos são fundamentais para o controle da doença. O diagnóstico da dengue é primariamente clínico-epidemiológico. Os sintomas clássicos incluem febre alta de início súbito, cefaleia, mialgia, artralgia, dor retro-orbital e exantema. Sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, indicam a necessidade de monitoramento rigoroso e hidratação venosa. A prova do laço positiva é um forte indicativo de fragilidade capilar e plaquetopenia, reforçando a suspeita diagnóstica. A ageusia, embora mais associada à COVID-19, pode ser um sintoma inespecífico em outras infecções virais. A conduta inicial para casos suspeitos de dengue sem sinais de alarme envolve hidratação oral abundante, repouso e uso de analgésicos (paracetamol). É crucial evitar anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) devido ao risco de sangramento. A solicitação de hemograma é importante para monitorar o hematócrito e as plaquetas. A notificação imediata do caso às autoridades de saúde e o reforço das medidas de controle do mosquito pelo agente de combate a endemias (ACE) são ações essenciais para a prevenção e controle da transmissão na comunidade.
Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural), sangramento de mucosas, letargia/irritabilidade, hepatomegalia > 2 cm e aumento progressivo do hematócrito com queda das plaquetas.
A prova do laço é um teste simples e rápido para avaliar a fragilidade capilar e a tendência a sangramentos, sendo um indicativo de plaquetopenia ou disfunção plaquetária, comum na dengue. Sua positividade reforça a suspeita diagnóstica, especialmente em áreas endêmicas.
A hidratação é a base do tratamento da dengue. Em pacientes sem sinais de alarme, a hidratação oral é suficiente. Em casos com sinais de alarme ou choque, a hidratação venosa com soro fisiológico é essencial, seguindo protocolos específicos para evitar sobrecarga hídrica.
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