INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Uma paciente de 30 anos, primigesta, com 40 semanas de idade gestacional, sem cirurgias prévias nem antecedentes mórbidos relevantes, é internada em trabalho de parto espontâneo às 5h da manhã com contrações. Os movimentos fetais estão presentes e ativos, não ocorreu perda de líquido ou sangue na internação. A paciente está lidando bem com a dor, com movimentação, massagem e banhos de aspersão. Seu acompanhante é participativo e acolhedor.Os batimentos cardíacos fetais estão sendo auscultados a cada 15 minutos e mantêm um padrão tranquilizador. Às 9h, a parturiente está mais cansada e queixosa e apresenta discreto sangramento vaginal. Diante disso, é feita nova avaliação por toque vaginal. A evolução do trabalho de parto pode ser vista no partograma a seguir.Fundamentado nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (2018) e considerando o caso clínico e o partograma apresentados, faça o que se pede nos itens a seguir.a) Qual é o diagnóstico correto do caso clínico? (valor: 2,0 pontos)b) É possível constatar sinais de progressão, ou de não progressão, do trabalho de parto? Forneça duas justificativas completas para a sua resposta. (valor: 4,0 pontos)c) Qual conduta deve ser seguida? (valor: 4,0 pontos)
Partograma → Documenta progressão e guia intervenções no trabalho de parto.
O partograma é a representação gráfica do trabalho de parto. Segundo a OMS (2018), a fase ativa começa com 5cm de dilatação, e a conduta deve priorizar a fisiologia e o bem-estar materno-fetal.
A assistência ao parto evoluiu para modelos menos intervencionistas. O partograma da OMS (2018) removeu a 'linha de alerta' rígida de 1cm/hora para evitar intervenções desnecessárias, como o uso precoce de ocitocina ou cesáreas sem indicação real. A avaliação deve ser holística, incluindo a vitalidade fetal (BCF), a contratilidade uterina e o suporte emocional da parturiente. O sangramento discreto ('show') e o cansaço são achados comuns na transição para a fase ativa, não indicando necessariamente patologia se os sinais vitais e o BCF estiverem normais.
Segundo as recomendações atuais da OMS (2018), a fase ativa inicia-se com 5 cm de dilatação cervical, caracterizando-se por contrações regulares, apagamento cervical e progressão mais rápida da dilatação.
Avalia-se a relação entre a dilatação cervical (em cm) e o tempo (horas), além da descida da apresentação fetal (planos de De Lee), a frequência/intensidade das contrações e a vitalidade fetal.
A ausência de progressão da dilatação por mais de 4 horas na fase ativa ou a parada da descida da apresentação após dilatação total são sinais de alerta que exigem reavaliação da contratilidade e proporção cefalopélvica.
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