Cervicite por ISTs: Tratamento Empírico e Prevenção

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023

Enunciado

Em uma palestra para médicos generalistas sobre infecção sexualmente transmissíveis, com abordagem propedêutica C terapêutica, recomendações às pacientes e controle no nível primário, DEVE-SE informar ao público que: 

Alternativas

  1. A) A cervicite pode ser tratada com medicações que cobrem a neisseria e a clamídia, recomenda-se uso de ceftriaxone intramuscular dose única e azitromicina via oral também dose única.
  2. B) A doença inflamatória pélvica é causada pela ascenção de bactérias que colonizam o colo uterino, exceto a neisseria, devendo ser tratada com azitromicina.
  3. C) As úlceras genitais mais frequentes são a sífilis, herpes simples e cancroide. Os exames confirmatórios são imprescindíveis para o tratamento, visto tratar-se de casos geralmente autolimitados, de baixo risco de associação com outras infecções sexualmente transmissíveis.
  4. D) O tratamento da sífilis nas fases primária até as latentes com mais de um ano ou de duração desconhecida deve ser priorizada a dose única de 2,4 milhões de unidades de penicilina benzatina.

Pérola Clínica

Cervicite por ISTs → Tratar empiricamente para Neisseria (Ceftriaxone IM) e Clamídia (Azitromicina VO) em dose única.

Resumo-Chave

A cervicite, frequentemente assintomática ou com sintomas inespecíficos, é comumente causada por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. Devido à dificuldade de diagnóstico etiológico rápido e à importância do tratamento precoce para prevenir complicações, a conduta recomendada é o tratamento empírico para ambas as bactérias, utilizando ceftriaxone e azitromicina em dose única.

Contexto Educacional

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) representam um grave problema de saúde pública, sendo a cervicite uma de suas manifestações mais comuns em mulheres. A cervicite é a inflamação do colo uterino, frequentemente causada por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, que podem ser assintomáticas ou apresentar sintomas inespecíficos como corrimento vaginal, sangramento intermenstrual ou dispareunia. A identificação e o tratamento precoces são cruciais para prevenir complicações a longo prazo. A abordagem propedêutica da cervicite deve incluir a anamnese detalhada sobre a vida sexual, exame físico com especuloscopia para visualização do colo e coleta de amostras para testes diagnósticos (NAATs para gonorreia e clamídia). No entanto, devido à alta prevalência de co-infecção e à necessidade de tratamento imediato para evitar sequelas, a recomendação terapêutica é o tratamento sindrômico empírico. Isso significa tratar para os agentes mais prováveis antes mesmo da confirmação laboratorial. O tratamento recomendado para cervicite de etiologia presumida por ISTs é a combinação de Ceftriaxone 500 mg intramuscular em dose única (para Neisseria gonorrhoeae) e Azitromicina 1 g via oral em dose única (para Chlamydia trachomatis). É fundamental orientar a paciente sobre a abstinência sexual até a resolução dos sintomas e o tratamento dos parceiros sexuais para evitar reinfecção e a disseminação das ISTs. O controle no nível primário de atenção envolve rastreamento, educação em saúde e acesso facilitado ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Por que o tratamento da cervicite por ISTs é empírico e cobre Neisseria e Clamídia?

O tratamento é empírico porque os exames diagnósticos podem demorar e a co-infecção por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis é comum. Tratar ambas evita complicações graves como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e interrompe a cadeia de transmissão.

Quais são os medicamentos recomendados para o tratamento empírico da cervicite?

A recomendação atual inclui Ceftriaxone 500 mg intramuscular em dose única para cobrir Neisseria gonorrhoeae, e Azitromicina 1 g via oral em dose única para cobrir Chlamydia trachomatis.

Quais as complicações de uma cervicite não tratada?

Uma cervicite não tratada pode evoluir para Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que pode causar dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. Além disso, aumenta o risco de transmissão de outras ISTs, incluindo o HIV.

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