Pé Diabético e Neuropatia: Diagnóstico e Manejo Clínico

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 62 anos de idade, obesa, que tem histórico de diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos, procurou o ambulatório com queixas de parestesia nos pés e dificuldade de cicatrização de uma lesão no pé direito há três semanas. Encontra-se em uso de metformina e glimepirida. Ao exame físico, apresentou PA = 150 mmHg X 90 mmHg. FC = 86 bpm, FR = 18 irpm, SatO2 = 98%. Observou-se lesão úlcero-necrótica em planta do pé direito com bordas mal delimitadas e ausência de sinais inflamatórios exuberantes Qual é o principal diagnóstico relacionado à queixa de parestesia e lesão no pé desse paciente?

Alternativas

  1. A) Trombose venosa profunda.
  2. B) Insuficiência arterial periférica.
  3. C) Celulite com fascite necrotizante.
  4. D) Pé diabético com neuropatia periférica.

Pérola Clínica

Parestesia + úlcera em pontos de pressão + perda de sensibilidade protetora = Pé Diabético Neuropático.

Resumo-Chave

A neuropatia diabética periférica leva à perda da sensibilidade protetora, permitindo que traumas repetitivos e pressões anormais resultem em úlceras crônicas de difícil cicatrização.

Contexto Educacional

O pé diabético é uma das complicações mais debilitantes do Diabetes Mellitus, sendo a principal causa de amputações não traumáticas no mundo. A neuropatia periférica é o componente central, agindo de forma silenciosa até que uma lesão ulcerada se manifeste. A hiperglicemia crônica promove o acúmulo de sorbitol e produtos de glicação avançada (AGEs), danificando os nervos periféricos. O manejo clínico exige uma abordagem multidisciplinar, focando no controle metabólico, desbridamento de tecidos necróticos, tratamento de infecções secundárias e, crucialmente, o 'offloading' (alívio de pressão) da área ulcerada. A detecção de sinais inflamatórios ou isquemia crítica associada é vital para determinar o prognóstico de salvamento do membro.

Perguntas Frequentes

Como realizar o rastreio de neuropatia periférica no paciente diabético?

O rastreio deve ser anual para todos os pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e após 5 anos de diagnóstico no tipo 1. O teste padrão-ouro para perda de sensibilidade protetora é o teste do monofilamento de Semmes-Weinstein (10g), aplicado em pontos específicos da planta do pé. Além dele, deve-se avaliar a sensibilidade vibratória com diapasão de 128 Hz no hálux e a sensibilidade térmica ou dolorosa. O exame físico também deve incluir a inspeção de deformidades (como dedos em garra ou pé de Charcot), avaliação da pele (ressecamento por neuropatia autonômica) e palpação de pulsos pediosos e tibiais posteriores para excluir componente isquêmico associado.

Qual a fisiopatologia da úlcera no pé diabético neuropático?

A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo a tríade de neuropatia sensorial, motora e autonômica. A neuropatia sensorial causa a perda da percepção de dor e pressão, permitindo que pequenos traumas ou calçados inadequados causem lesões despercebidas. A neuropatia motora leva à atrofia dos músculos intrínsecos do pé, resultando em deformidades ósseas que criam novos pontos de pressão anormal. A neuropatia autonômica reduz a sudorese, deixando a pele anidrótica, seca e propensa a fissuras que servem de porta de entrada para infecções. Juntos, esses fatores criam um ambiente propício para a formação de calosidades, ulceração e, eventualmente, osteomielite se não tratadas precocemente.

Quais são as principais medidas de prevenção para o pé diabético?

A prevenção baseia-se na educação do paciente e no controle glicêmico rigoroso. Os pacientes devem ser orientados a inspecionar os pés diariamente com auxílio de espelhos, nunca andar descalços (mesmo em casa), usar calçados fechados e macios, e hidratar a pele (evitando os espaços interdigitais para prevenir maceração). O corte das unhas deve ser reto e realizado por profissionais se houver dificuldade visual ou motora. Além disso, o manejo de calosidades deve ser feito por especialistas. A identificação precoce do 'pé em risco' através da estratificação de risco do IWGDF permite intervenções que reduzem drasticamente as taxas de amputação e morbidade.

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