UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Uma paciente de 34 anos, nuligesta, comparece ao ambulatório de ginecologia referindo que há quatro meses iniciou com sensação de fisgadas e queimor vulvar, intermitente, e que determina angústia (distress), pois é desconfortável e está afetando sua vida sexual. Não foi possível identificar um fator etiológico ou alteração ao exame físico e vem piorando, apesar do uso de vários tipos de cremes vaginais tópicos. Qual o diagnóstico?
Vulvodínea = dor vulvar crônica (>3 meses), sem causa identificável, com impacto na qualidade de vida e exame físico normal.
A vulvodínea é caracterizada por dor vulvar crônica (geralmente >3 meses), que pode ser descrita como queimor, fisgadas ou irritação, na ausência de achados visíveis ou clinicamente identificáveis que justifiquem a dor, e que causa angústia significativa à paciente.
A vulvodínea é uma condição de dor vulvar crônica, definida como dor na vulva por pelo menos três meses, sem uma causa identificável. É uma condição comum, afetando uma parcela significativa de mulheres em alguma fase da vida, e pode ter um impacto devastador na qualidade de vida, na saúde sexual e no bem-estar emocional das pacientes. A etiologia é multifatorial e ainda não completamente compreendida, envolvendo fatores neuropáticos, inflamatórios, genéticos e psicossociais. O diagnóstico da vulvodínea é essencialmente clínico e de exclusão. A paciente tipicamente relata dor vulvar persistente, que pode ser localizada ou generalizada, provocada ou espontânea, e descrita como queimor, fisgadas, ardência ou irritação. É crucial que o exame físico seja normal, sem sinais de infecção, inflamação, dermatose ou outras condições que justifiquem a dor. A história de falha no tratamento com cremes tópicos para infecções ou inflamações é um dado importante que corrobora o diagnóstico. O tratamento da vulvodínea é complexo e multidisciplinar, focando no alívio dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida. Pode incluir medicamentos tópicos (anestésicos, moduladores de dor), medicamentos orais (antidepressivos tricíclicos, gabapentina, pregabalina), fisioterapia pélvica, bloqueios nervosos, terapias complementares e suporte psicológico. Para residentes, é fundamental reconhecer a vulvodínea como uma entidade diagnóstica real e não subestimar o sofrimento da paciente, encaminhando-a para uma abordagem especializada.
Os principais sintomas incluem dor vulvar crônica, que pode ser descrita como queimor, fisgadas, ardência ou irritação, geralmente persistindo por mais de três meses, sem uma causa identificável e com impacto significativo na qualidade de vida e na função sexual.
O diagnóstico de vulvodínea é de exclusão, baseado na história clínica de dor vulvar crônica sem causa aparente, na ausência de achados visíveis ou clinicamente identificáveis ao exame físico e na exclusão de outras condições que possam causar dor vulvar, como infecções ou dermatoses.
Dispareunia é a dor durante a relação sexual, que pode ser um sintoma da vulvodínea. No entanto, a vulvodínea é uma condição mais ampla de dor vulvar crônica, que pode ocorrer independentemente da atividade sexual, enquanto a dispareunia é especificamente a dor associada ao coito.
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