CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Uma paciente de 26 anos apresenta nódulo mamário único, móvel, fibroelástico, medindo 1,82 cm. A ultrassonografia evidencia lesão oval, paralela à pele, circunscrita e hipoecogênica, compatível com BI-RADS 3. Qual é a conduta mais adequada?
BI-RADS 3 em paciente jovem → Controle ultrassonográfico em 6 meses.
Lesões com características ultrassonográficas de benignidade (BI-RADS 3) têm risco de malignidade < 2%, justificando o acompanhamento semestral para documentar estabilidade.
O manejo de nódulos mamários em pacientes jovens (geralmente abaixo de 35-40 anos) prioriza a ultrassonografia como método de imagem inicial devido à alta densidade do parênquima mamário, que limita a sensibilidade da mamografia. O sistema BI-RADS (Breast Imaging-Reporting and Data System) padroniza a comunicação e a conduta. A categoria 3 é uma zona de segurança que permite observar a evolução biológica da lesão. Em pacientes jovens, a maioria dessas lesões corresponde a fibroadenomas, que são tumores fibroepiteliais benignos. A estabilidade dimensional é o principal critério para confirmar a benignidade sem a necessidade de intervenção histopatológica imediata.
Uma lesão é classificada como BI-RADS 3 (provavelmente benigna) quando apresenta características morfológicas que conferem um risco de malignidade muito baixo, estatisticamente inferior a 2%. Na ultrassonografia, isso inclui nódulos sólidos, ovais, paralelos à pele (maior eixo horizontal), circunscritos, hipoecoicos e sem sombra acústica posterior. Exemplos clássicos são o fibroadenoma típico, cistos complicados e áreas de adenose. Essa classificação visa evitar biópsias desnecessárias, propondo um seguimento rigoroso para confirmar a estabilidade da lesão ao longo do tempo.
O protocolo padrão de acompanhamento para BI-RADS 3 consiste na realização de exames de imagem (geralmente ultrassonografia em jovens ou mamografia em mulheres mais velhas) em intervalos de 6 meses no primeiro ano (aos 6 e 12 meses) e, se estável, anualmente por mais um ou dois anos. Se a lesão permanecer estável por um período total de 2 a 3 anos, ela pode ser reclassificada como BI-RADS 2 (benigna). Caso haja aumento de volume (geralmente >20% do diâmetro) ou mudança nas características morfológicas, a conduta deve ser alterada para biópsia (BI-RADS 4).
Embora a conduta padrão seja o acompanhamento, a biópsia (preferencialmente core biopsy) pode ser indicada em situações específicas: desejo expresso da paciente devido à ansiedade, planejamento de gravidez iminente (onde o estímulo hormonal pode crescer o nódulo), dificuldade de acesso ao acompanhamento periódico, ou se o nódulo for palpável e gerar grande desconforto físico. No entanto, do ponto de vista estritamente oncológico, o seguimento é seguro e recomendado para evitar procedimentos invasivos em lesões com altíssima probabilidade de benignidade.
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