Hanseníase: Diagnóstico, Reações e Manejo da Neuropatia

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente do sexo feminino, 53 anos, nascida no interior de Pernambuco, buscou atendimento em posto de saúde devido ao aparecimento de quatro lesões de pele caracterizadas por máculas hipocrômicas com halo eritematoso e hipoestesia térmica e dolorosa em centro das lesões, que surgiram no último ano. Há cerca de 3 meses iniciou quadro de dormência e fraqueza em mão direita, com dificuldade de realizar movimentos de pinça durante sua atividade de costura. Diante disso, o médico de família solicitou alguns exames laboratoriais e uma eletroneuromiografia, que demonstrou a presença de uma mononeuropatia múltipla, acometendo os nervos medianos bilateralmente e o nervo ulnar direito. Diante desse quadro, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) A principal hipótese diagnóstica é hanseníase devido à presença de lesões de pele características e neuropatia, considerando que estamos em um país onde esta doença ainda é endêmica e prevalente.
  2. B) A mononeuropatia múltipla pode ser causada por diversas condições, como diabetes, vasculites sistêmicas, hanseníase e neuropatia hereditária.
  3. C) As reações hansênicas tipo 1 e tipo 2 podem ocorrer antes, durante ou após o início do tratamento. A reação do tipo 1 tem como base fisiopatológica a exacerbação da imunidade humoral, costuma se apresentar com piora das lesões cutâneas e piora da neuropatia, porém mesmo quando a reação é grave o tratamento não está indicado. Já a reação do tipo 2 tem como base fisiopatológica a exacerbação da imunidade celular e o tratamento consiste no uso da Talidomida, independentemente da gravidade do quadro.
  4. D) O diagnóstico da hanseníase é baseado na história clínica, exame físico, biópsia de pele e PCR para M. leprae e/ou M.lepromatosis. O teste sorológico (PGL-1), em geral, não é útil para o diagnóstico da doença.
  5. E) A hanseníase neural pura é uma forma rara de hanseníase caracterizada por envolvimento neural na ausência de lesões cutâneas. Diversos nervos podem ser acometidos, como o mediano, ulnar, auricular e fibular, sendo a palpação dos nervos periféricos importante durante o exame físico do paciente, podendo haver espessamento destes nervos.

Pérola Clínica

Reação hansênica tipo 1 = imunidade celular exarcebada; Reação tipo 2 = imunidade humoral exarcebada (eritema nodoso).

Resumo-Chave

A alternativa C está incorreta porque inverte a fisiopatologia das reações hansênicas tipo 1 e 2. A reação tipo 1 é mediada por imunidade celular e a tipo 2 por imunidade humoral (complexos imunes). Além disso, reações graves SEMPRE requerem tratamento, e a Talidomida é específica para a reação tipo 2, com contraindicações importantes.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo *Mycobacterium leprae*, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. No Brasil, ainda é uma doença endêmica e prevalente, sendo crucial o diagnóstico precoce para evitar incapacidades. As manifestações clínicas são variadas, desde lesões cutâneas hipocrômicas com perda de sensibilidade até neuropatias periféricas que podem levar a deformidades. A mononeuropatia múltipla, como no caso descrito, é uma apresentação comum e deve levantar a suspeita diagnóstica. O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico-epidemiológico, baseado na presença de um ou mais dos seguintes critérios: lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade, espessamento de nervo(s) periférico(s) com alteração de sensibilidade e/ou força, e baciloscopia positiva. Exames complementares como biópsia de pele e PCR para *M. leprae* podem auxiliar, mas o teste sorológico PGL-1 não é útil para diagnóstico da doença ativa, sendo mais empregado em estudos epidemiológicos ou para monitoramento. As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento, e são as principais causas de dano neural. A reação tipo 1 (reversa) é uma exacerbação da imunidade celular, enquanto a reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico) é uma resposta mediada por complexos imunes. O manejo adequado dessas reações, que frequentemente envolve corticosteroides ou Talidomida (para tipo 2, com restrições), é fundamental para prevenir sequelas neurológicas permanentes e melhorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da hanseníase?

A hanseníase é caracterizada por lesões de pele com alteração de sensibilidade (hipoestesia térmica e dolorosa), espessamento de nervos periféricos, e em casos avançados, deformidades. A mononeuropatia múltipla é uma apresentação comum.

Como diferenciar as reações hansênicas tipo 1 e tipo 2?

A reação tipo 1 (reversa) é uma exacerbação da imunidade celular, com piora das lesões cutâneas e neurais preexistentes. A reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico) é mediada por complexos imunes, manifestando-se com nódulos subcutâneos dolorosos, febre e acometimento sistêmico.

Qual o tratamento das reações hansênicas graves?

Reações hansênicas graves, tanto tipo 1 quanto tipo 2, requerem tratamento. A reação tipo 1 é tratada com corticosteroides (prednisona). A reação tipo 2 é tratada com Talidomida, que é contraindicada em mulheres em idade fértil devido ao risco teratogênico, e corticosteroides podem ser usados como alternativa ou em associação.

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