Malária: Diagnóstico, Sintomas e Tratamento Essencial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 50 anos, residente na região Sul, e procedente de estado da região amazônica há cerca de 30 dias, comparece à unidade básica de saúde (UBS) com quadro de febre alta, calafrios e dor de cabeça há 1 mês. Relata que, incialmente, atribuiu os episódios diários de febre e calafrios a adaptação mudança brusca de temperatura. Passados 15 dias, a febre passou a ocorrer a cada 48 horas, ter início súbito e ser seguida de muito calor e sudorese abundante, ela atribuiu esse sintoma à menopausa. Percebeu aumento do volume abdominal e relatou episódios de náuseas e de vômitos que não a impediram de ingerir líquidos, porém, recentemente, a levaram a procurar a UBS. Nega sangramentos, dispneia, alterações neurológicas ou outros sintomas.Ao exame físico, observa-se paciente em regular estado geral, mucosas descoradas; temperatura de 40,2 °C; abdome doloroso difusamente; fígado palpável, a 2 cm do rebordo costal direito; e baço palpável, a 3 cm do rebordo costal esquerdo. Restante do exame físico normal e sinais vitais sem alterações.Considerando o caso, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável, o exame laboratorial a ser solicitado e a conduta apropriada.

Alternativas

  1. A) Malária; hematoscopia (esfregaço de sangue periférico); uso de antimaláricos e medidas de suporte.
  2. B) Chikungunya; sorologia no 5º dia; uso de sintomáticos, repouso e hidratação em regime ambulatorial.
  3. C) Febre amarela; sorologia no 5o dia e marcadores de lesão hepática; internação e suplementação com vitamina A.
  4. D) Doença de Chagas; pesquisa a fresco de tripanossomídeos após 30 dias do sintoma; administração de benzonidazol.

Pérola Clínica

Febre terçã + esplenomegalia + história de área endêmica = Malária (Plasmodium vivax).

Resumo-Chave

O quadro clássico de febre terçã (a cada 48 horas), calafrios, sudorese, associado a esplenomegalia, hepatomegalia e anemia em paciente procedente de área endêmica (Amazônia) é altamente sugestivo de malária, especialmente por Plasmodium vivax. O diagnóstico é confirmado por hematoscopia.

Contexto Educacional

A malária é uma doença parasitária grave transmitida por mosquitos Anopheles, endêmica em regiões tropicais e subtropicais, incluindo a Amazônia brasileira. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade, especialmente se não diagnosticada e tratada precocemente. Residentes devem estar atentos à história epidemiológica de viagem ou residência em áreas endêmicas. A fisiopatologia envolve o ciclo de vida do Plasmodium no hospedeiro humano, com a lise de eritrócitos causando os paroxismos febris característicos. O quadro clínico típico inclui febre alta com calafrios e sudorese, que pode ser diária inicialmente e evoluir para um padrão terçã (a cada 48h, comum em P. vivax) ou quartã. Esplenomegalia, hepatomegalia e anemia são achados comuns. O diagnóstico é laboratorial, principalmente pela gota espessa e esfregaço de sangue periférico. O tratamento da malária é específico para a espécie de Plasmodium e a gravidade da doença. Para P. vivax, a combinação de cloroquina e primaquina é o esquema padrão, sendo a primaquina essencial para eliminar as formas hepáticas (hipnozoítos) e prevenir recaídas. Medidas de suporte são importantes para controlar a febre e a anemia. A notificação compulsória é fundamental para o controle epidemiológico da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da malária e seu padrão febril?

Os sintomas clássicos incluem febre alta, calafrios intensos, sudorese abundante, cefaleia, mialgia, náuseas e vômitos. O padrão febril pode ser terçã (a cada 48h, P. vivax/ovale) ou quartã (a cada 72h, P. malariae), com picos de febre intermitentes.

Qual o exame padrão-ouro para o diagnóstico de malária?

O exame padrão-ouro é a gota espessa e o esfregaço de sangue periférico (hematoscopia), que permite identificar o parasita, a espécie (ex: Plasmodium vivax), a fase do ciclo e a parasitemia, sendo essencial para guiar o tratamento.

Qual a conduta inicial para um caso suspeito de malária em área endêmica?

A conduta inicial é a coleta de sangue para gota espessa e, uma vez confirmado o diagnóstico, iniciar o tratamento antimalárico específico para a espécie identificada e gravidade do caso, além de medidas de suporte para os sintomas.

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