SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2022
Uma mulher de 35 anos de idade, primigesta, está no sétimo mês de uma gravidez sem intercorrências quando surgem dores de cabeça que vão piorando, acompanhado de ganho de 3 kg em uma semana. Nessa manhã, ela teve uma crise convulsiva generalizada. No exame físico, ela está afebril, mas sua pressão arterial é de 190/110 mmHg (era de 120/80 mmHg na consulta de pré-natal, um mês antes). Ela apresenta edema envolvendo a cabeça e todas as extremidades. Os batimentos cardíacos fetais são de 140/min e há presença de movimentos fetais. As análises laboratoriais indicam hemoglobina de 12,5 g/ dL; hematócrito de 37,6%; VCM de 92 mm³; contagem deplaquetas de 199.000/mm³; creatinina sérica de 1 mg/dL; potássio de 4,2 mmol/L; e glicemia de 101 mg/dL. A análise da urina aponta 21 de proteinúria, mas sem hematúria, leucócitos ou cilindros.Nesse caso, qual dos seguintes fatores subjacentes mais provavelmente foi o causador da doença da paciente?
Eclâmpsia = Hipertensão + Proteinúria + Convulsão na gestante > 20 semanas. Causa: isquemia placentária.
O quadro clínico de hipertensão grave, proteinúria, edema e convulsão em uma gestante no terceiro trimestre é diagnóstico de eclâmpsia. A fisiopatologia central da pré-eclâmpsia/eclâmpsia envolve a implantação placentária anormal, levando à isquemia placentária e liberação de fatores que causam disfunção endotelial materna generalizada.
A pré-eclâmpsia e sua forma mais grave, a eclâmpsia, são síndromes hipertensivas específicas da gravidez que representam uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A eclâmpsia é definida pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma mulher com pré-eclâmpsia, na ausência de outras causas neurológicas, e tipicamente se manifesta após a 20ª semana de gestação. O caso clínico apresentado, com hipertensão grave, proteinúria, edema e uma crise convulsiva generalizada no terceiro trimestre, é altamente sugestivo de eclâmpsia. A fisiopatologia subjacente à pré-eclâmpsia e, consequentemente, à eclâmpsia, é complexa, mas o evento inicial e central é a implantação placentária anormal. Isso leva a um remodelamento deficiente das artérias espiraladas uterinas, resultando em hipoperfusão e isquemia placentária. A isquemia da placenta desencadeia a liberação de fatores antiangiogênicos (como sFlt-1) e pró-inflamatórios na circulação materna, que causam disfunção endotelial generalizada. Essa disfunção leva à vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular, ativação plaquetária e coagulopatia, resultando nas manifestações clínicas maternas como hipertensão, proteinúria, edema e, em casos graves, disfunção de múltiplos órgãos e convulsões. Portanto, a isquemia placentária é o fator subjacente mais provável para a doença da paciente.
Eclâmpsia é definida pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma mulher com pré-eclâmpsia, na ausência de outras causas neurológicas. A pré-eclâmpsia é caracterizada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) e proteinúria (≥ 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou dipstick ≥ 2+) após 20 semanas de gestação.
A isquemia placentária é o evento inicial e central. Uma implantação trofoblástica inadequada resulta em remodelamento deficiente das artérias espiraladas, levando à hipoperfusão e isquemia da placenta. Isso desencadeia a liberação de fatores antiangiogênicos e inflamatórios que causam disfunção endotelial materna generalizada, resultando em hipertensão, proteinúria e outras manifestações.
A conduta imediata inclui garantir a segurança da paciente (prevenir traumas), controlar a via aérea e administrar sulfato de magnésio para prevenir convulsões recorrentes. Após a estabilização materna, a resolução da gestação é o tratamento definitivo, geralmente por indução do parto ou cesariana.
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