Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024
Uma mulher com 36 semanas de gestação, primigesta (G1P0), fazendo uso de pindolol, medicamento que foi alterado no início da primeira consulta de pré-natal. Algumas semanas atrás, apresentou proteinúria de 24 horas com quantificação de 500 mg. Durante o acompanhamento obstétrico, não houve intercorrências, e os níveis de pressão arterial estavam dentro dos limites aceitáveis até o momento. A paciente buscou o pronto-socorro com queixa de cefaleia e escotomas que persistiam há 30 minutos. Ao exame físico, a paciente estava lúcida e orientada no espaço e no tempo, com pressão arterial de 180 x 112. O útero apresentava uma altura de fundo uterino de 32 cm, com tônus habitual, e os batimentos cardíacos fetais estavam em 144 bpm. O colo do útero estava pérvio, a apresentação fetal era cefálica, e a bolsa amniótica estava íntegra. Poucos minutos após a admissão, a paciente teve uma crise tônico-clônica generalizada e foi encaminhada à sala de emergência para receber tratamento imediato. Os resultados do hemograma não apresentaram alterações dignas de nota, e o número de plaquetas estava em 200.000/mm³.Com relação à doença hipertensiva específica da gestação, definições, condutas médicas e conhecimentos relacionados, julgue o item.Em pacientes com contagem de plaquetas abaixo de 70.000/mm³ ou em uso de anticoagulantes em doses terapêuticas, o esquema de sulfatação de Sibai pode ser empregado.
Plaquetopenia < 50-70k ou anticoagulação → Preferir Esquema de Sibai (IV) para evitar hematoma por IM.
O esquema de Sibai utiliza apenas a via intravenosa (ataque e manutenção), sendo a escolha em pacientes com distúrbios de coagulação ou plaquetopenia grave para mitigar riscos hemorrágicos musculares.
A eclâmpsia é definida pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em mulheres com pré-eclâmpsia, não atribuíveis a outras causas neurológicas. O sulfato de magnésio é a droga de escolha tanto para o tratamento da crise quanto para a profilaxia de novas convulsões, superando anticonvulsivantes como a fenitoína e o diazepam em eficácia e segurança materno-fetal. Na prática clínica, a escolha do esquema de sulfatação depende das condições hemodinâmicas e de coagulação da paciente. O esquema de Sibai (ataque de 4g IV e manutenção de 1-2g/h IV) é frequentemente preferido em centros com bombas de infusão e em pacientes com plaquetopenia ou em uso de anticoagulantes, pois evita o trauma tecidual das injeções IM profundas necessárias no esquema de Pritchard.
O esquema de Pritchard utiliza uma dose de ataque combinada (IV + IM) e manutenção exclusivamente intramuscular (IM) a cada 4 horas. Já o esquema de Sibai utiliza ataque intravenoso (IV) e manutenção também por infusão contínua intravenosa (geralmente 1 a 2g/h), sendo mais seguro em pacientes com risco de sangramento.
Pacientes com contagem de plaquetas abaixo de 50.000 a 70.000/mm³ apresentam alto risco de complicações hemorrágicas em locais de punção profunda. Como o esquema de Pritchard exige injeções intramusculares glúteas repetidas de grande volume, o risco de hematomas musculares extensos e infectados é proibitivo.
Independentemente do esquema (Sibai, Zuspan ou Pritchard), deve-se monitorar rigorosamente o reflexo patelar (deve estar presente), a frequência respiratória (deve ser > 12-14 irpm) e o débito urinário (deve ser > 25-30 ml/h), pois o magnésio é excretado via renal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo