Eclâmpsia: Manejo de Emergência e Conduta Obstétrica

Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher com 36 semanas de gestação, primigesta (G1P0), fazendo uso de pindolol, medicamento que foi alterado no início da primeira consulta de pré-natal. Algumas semanas atrás, apresentou proteinúria de 24 horas com quantificação de 500 mg. Durante o acompanhamento obstétrico, não houve intercorrências, e os níveis de pressão arterial estavam dentro dos limites aceitáveis até o momento. A paciente buscou o pronto-socorro com queixa de cefaleia e escotomas que persistiam há 30 minutos. Ao exame físico, a paciente estava lúcida e orientada no espaço e no tempo, com pressão arterial de 180 x 112. O útero apresentava uma altura de fundo uterino de 32 cm, com tônus habitual, e os batimentos cardíacos fetais estavam em 144 bpm. O colo do útero estava pérvio, a apresentação fetal era cefálica, e a bolsa amniótica estava íntegra. Poucos minutos após a admissão, a paciente teve uma crise tônico-clônica generalizada e foi encaminhada à sala de emergência para receber tratamento imediato. Os resultados do hemograma não apresentaram alterações dignas de nota, e o número de plaquetas estava em 200.000/mm³.Com relação à doença hipertensiva específica da gestação, definições, condutas médicas e conhecimentos relacionados, julgue o item.Embora tratamento hipotensor com hidralazina endovenosa, droga de escolha, com objetivo de diminuição dos níveis pressóricos em 20 – 30%, está indicada interrupção imediata da gestação por cesárea.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Eclâmpsia = crise convulsiva + pré-eclâmpsia; Prioridade: controle convulsão (MgSO4) e PA, depois estabilização e via de parto individualizada.

Resumo-Chave

A paciente apresenta eclâmpsia, uma emergência obstétrica. A prioridade no manejo é o controle da crise convulsiva com sulfato de magnésio e a redução da pressão arterial com anti-hipertensivos como hidralazina ou labetalol. A interrupção da gestação é indicada após a estabilização materna, mas a via de parto (vaginal ou cesárea) deve ser individualizada, não sendo a cesárea a única opção imediata.

Contexto Educacional

A eclâmpsia é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante com pré-eclâmpsia, na ausência de outras causas neurológicas. É uma emergência obstétrica que requer intervenção imediata para proteger a vida da mãe e do feto. A pré-eclâmpsia é definida por hipertensão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h) ou sinais de disfunção de órgãos-alvo. O manejo da eclâmpsia tem como prioridade a estabilização materna. A primeira e mais crucial medida é o controle da crise convulsiva, que é feito com a administração de sulfato de magnésio endovenoso. Simultaneamente, deve-se controlar a pressão arterial grave com anti-hipertensivos como hidralazina, labetalol ou nifedipino, visando uma redução gradual da PA para evitar hipoperfusão placentária. A hidralazina é uma droga de escolha, mas o objetivo é reduzir a PA em 20-30% dos valores iniciais, e não uma queda abrupta. Após a estabilização da mãe, a interrupção da gestação é o tratamento definitivo para a eclâmpsia. No entanto, a via de parto (vaginal ou cesárea) deve ser individualizada. A cesárea não é a única via de parto imediata; se as condições cervicais forem favoráveis e a mãe estiver estável, o parto vaginal pode ser tentado. A decisão deve considerar a idade gestacional, a vitalidade fetal, as condições cervicais e a resposta da mãe ao tratamento. O prognóstico materno e fetal depende da rapidez e eficácia do manejo inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira medida no manejo de uma crise convulsiva eclâmptica?

A primeira medida é a administração de sulfato de magnésio para interromper e prevenir novas crises convulsivas, seguida pelo controle da pressão arterial.

Quais são as drogas de escolha para o controle da pressão arterial na eclâmpsia?

Hidralazina endovenosa, labetalol endovenoso e nifedipino oral são as drogas de escolha para o controle da hipertensão grave na eclâmpsia, com o objetivo de reduzir a PA de forma gradual.

A interrupção da gestação por cesárea é sempre imediata na eclâmpsia?

A interrupção da gestação é indicada após a estabilização materna, mas a via de parto deve ser individualizada. Se as condições cervicais forem favoráveis e a mãe estiver estável, o parto vaginal pode ser tentado, não sendo a cesárea a única opção imediata.

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