INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma mulher com 32 anos de idade comparece à consulta médica agendada na Unidade Básica de Saúde levando o resultado de exame citopatológico do colo uterino coletado há 1 mês. A paciente, muito nervosa, confessa que havia lido o resultado do exame e que pesquisou na internet sobre o tema. Ressaltou que segue corretamente às orientações do seu médico e que, aos 29 anos de idade, realizou o mesmo exame, com resultado normal. O resultado do exame citopatológico do colo uterino realizado no último mês apresentou amostra satisfatória, representatividade da junção escamo colunar, presença de células escamosas e glandulares e presença de ASCUS - (células escamosas atípicas de significado indeterminado). Considerando o caso apresentado, após explicar à paciente que há presença de um exame com alteração, o médico de família deve
ASCUS em < 30 anos ou com HPV negativo → repetir citopatológico em 12 meses; ASCUS em > 30 anos com HPV positivo ou sem teste HPV → repetir citopatológico em 6 meses.
A conduta para ASCUS depende da idade da paciente e da disponibilidade do teste de HPV. Para mulheres > 30 anos, a repetição do citopatológico em 6 meses é uma opção, e se a alteração persistir, a colposcopia é indicada. A paciente tem 32 anos, o que se encaixa nesse protocolo.
O rastreamento do câncer de colo uterino é uma das ações mais eficazes na prevenção secundária, sendo o exame citopatológico (Papanicolau) a principal ferramenta. O resultado ASCUS (Células Escamosas Atípicas de Significado Indeterminado) é uma das alterações mais comuns e representa um desafio na conduta, pois pode ser transitório ou indicar uma lesão precursora. A ansiedade da paciente, como no caso apresentado, é compreensível e deve ser manejada com informação clara e acolhimento. As diretrizes para a conduta do ASCUS variam conforme a idade da paciente e a disponibilidade do teste de HPV. Em mulheres com 25 a 29 anos, a repetição do citopatológico em 12 meses é a conduta preferencial. Para mulheres com 30 anos ou mais, a estratificação de risco com o teste de HPV de alto risco é fundamental. Se o HPV for positivo, a colposcopia é indicada. Se o HPV for negativo, a repetição do citopatológico em 3 anos é aceitável. Na ausência do teste de HPV, a repetição do citopatológico em 6 meses é a conduta padrão, e se persistir a alteração, a colposcopia é então indicada. Para residentes, é vital conhecer e aplicar as diretrizes atualizadas do Ministério da Saúde e sociedades médicas para o rastreamento e manejo das alterações citopatológicas. A correta interpretação e conduta do ASCUS evitam tanto a sub-investigação de lesões que podem progredir quanto a super-investigação desnecessária, otimizando recursos e minimizando o impacto psicológico na paciente.
ASCUS significa 'Células Escamosas Atípicas de Significado Indeterminado'. É uma alteração citológica que não permite classificar a lesão como benigna ou maligna, mas que pode estar associada a infecção por HPV ou outras causas inflamatórias.
A colposcopia é indicada se o ASCUS persistir após a repetição do citopatológico (geralmente em 6 ou 12 meses, dependendo da idade e do status do HPV), ou se o teste de HPV for positivo em mulheres com mais de 30 anos.
O teste de HPV de alto risco é crucial para estratificar o risco. Em mulheres com ASCUS e HPV negativo, o risco de lesão de alto grau é baixo, permitindo um acompanhamento mais espaçado. Em caso de HPV positivo, o risco é maior, e a conduta pode ser mais agressiva, como a colposcopia.
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