ENARE/ENAMED — Prova 2025
Uma mulher de 39 anos chega ao ambulatório com queixa de dificuldade para engolir, inicialmente apenas para sólidos, mas agora também para líquidos, que vem se agravando progressivamente nos últimos 8 meses. Ela também relata perda de peso significativa de mais de 10 kg e episódios de regurgitação de alimentos não digeridos. Não há histórico de doenças crônicas ou cirurgia prévia. No exame físico, o estado geral é bom, mas com perda ponderal evidente. A endoscopia digestiva alta revela retenção de alimentos no esôfago, sem evidências de estenose ou massa. A manometria esofágica mostra aperistalse no corpo do esôfago e ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior durante a deglutição.A Diante desse quadro clínico, o diagnóstico mais provável para essa paciente é:
Disfagia progressiva + regurgitação + aperistalsis + EEI não relaxa = Acalasia.
A acalasia é um distúrbio motor primário caracterizado pela destruição do plexo mientérico de Auerbach, resultando em falha no relaxamento do esfíncter inferior e perda da peristalse.
A acalasia idiopática resulta da perda de neurônios inibitórios (nitrérgicos) no esôfago distal. Clinicamente, manifesta-se com disfagia para sólidos e líquidos (muitas vezes paradoxal), regurgitação, perda de peso e dor torácica. O diagnóstico diferencial com a Doença de Chagas é obrigatório em áreas endêmicas. O tratamento visa reduzir a pressão do EEI através de dilatação pneumática, miotomia de Heller ou POEM.
A manometria esofágica, preferencialmente a de alta resolução, é o padrão-ouro. Ela demonstra a ausência de relaxamento completo do esfíncter esofágico inferior (EEI) em resposta à deglutição (IRP elevado) e a aperistalse do corpo esofágico.
A endoscopia digestiva alta (EDA) é fundamental para excluir causas mecânicas (pseudoacalasia/câncer). Na acalasia, pode revelar dilatação esofágica, retenção de resíduos alimentares e resistência à passagem do aparelho pelo EEI (sinal do 'ressalto').
Enquanto na acalasia há ausência de relaxamento do EEI e aperistalse, no espasmo esofágico difuso o relaxamento do EEI pode estar preservado, mas ocorrem contrações prematuras e não propulsivas de grande amplitude no corpo do esôfago.
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