Acalasia: Diagnóstico e Fisiopatologia Essencial

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher, 25 anos de idade, apresentou severos episódios de broncoaspiraçã o de alimentos com associação à disfagia nos últimos meses. Foi investigada e, no exame clínico, apresentou estertores grossos em base de pulmão direito. A radiografia contrastada via oral mostrou significativa dilatação esofágica acima do nível do esfíncter esofágico inferior. A amostra da biópsia da parte inferior do esôfago realizada por endoscopia apresentava ausência do gânglio miontérico.Qual é o diagnóstico adequado?

Alternativas

  1. A) Doença de Hirschsprung.
  2. B) Síndrome de Plummer-Vinson.
  3. C) Esôfago de Barret.
  4. D) Esclerodermia.
  5. E) Acalasia.

Pérola Clínica

Disfagia + dilatação esofágica + ausência gânglio miontérico → Acalasia.

Resumo-Chave

A acalasia é um distúrbio motor esofágico caracterizado pela falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e ausência de peristalse no corpo esofágico, devido à degeneração dos neurônios do plexo miontérico (Auerbach). A biópsia mostrando ausência de gânglios é patognomônica.

Contexto Educacional

A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago, caracterizado pela falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e pela ausência de peristalse no corpo esofágico. Sua etiologia é idiopática na maioria dos casos, mas está associada à degeneração dos neurônios do plexo miontérico (Auerbach), resultando em um desequilíbrio entre neurotransmissores excitatórios e inibitórios. Clinicamente, os pacientes apresentam disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica e perda de peso. Complicações como broncoaspiração são comuns devido à estase alimentar. O diagnóstico é sugerido pela esofagografia baritada (esôfago dilatado com 'bico de pássaro') e confirmado pela manometria esofágica de alta resolução, que demonstra os achados característicos. A biópsia, embora nem sempre necessária para o diagnóstico de rotina, pode revelar a ausência de células ganglionares. O tratamento visa aliviar a disfagia e prevenir complicações, uma vez que não há cura para a doença. As opções incluem dilatação pneumática endoscópica, miotomia de Heller (cirúrgica ou peroral endoscópica - POEM) e injeção de toxina botulínica. O manejo adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida do paciente e reduzir o risco de complicações respiratórias e nutricionais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e radiológicos da acalasia?

Clinicamente, a acalasia se manifesta com disfagia para sólidos e líquidos, regurgitação, dor torácica e perda de peso. Radiologicamente, a esofagografia baritada mostra dilatação esofágica e afilamento distal em 'bico de pássaro'.

Qual o papel do plexo miontérico (Auerbach) na fisiopatologia da acalasia?

Na acalasia, ocorre degeneração dos neurônios inibitórios do plexo miontérico na parede esofágica, resultando na falha de relaxamento do esfíncter esofágico inferior e na ausência de peristalse no corpo do esôfago.

Como a manometria esofágica contribui para o diagnóstico de acalasia?

A manometria esofágica é o padrão-ouro para o diagnóstico, demonstrando ausência de peristalse esofágica e relaxamento incompleto ou ausente do esfíncter esofágico inferior, com pressão basal elevada.

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