SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Uma menina de 8 anos de idade, previamente hígida, apresenta quadro de cefaleia progressiva há dois meses, associada a náuseas matinais e vômitos esporádicos. Há uma semana, passou a apresentar diplopia e dificuldade para deambular. Nega febre ou outros sintomas. A mãe dela relatou que a paciente tem acordado à noite queixando-se de dor de cabeça. Ao exame físico, mostra-se em estado geral regular, emagrecida, descorada +/4+, com FC = 90 bpm; FR = 20 irpm, Sat02 = 98%; PA = 130 mmHg × 80 mmHg, (acima do percentil 95 para idade e sexo). Ao exame neurológico, verificam-se nistagmo horizontal, dismetria em membros superiores, ataxia de marcha, hiperreflexia profunda bilateral com sinal de Babinski presente à direita e fundo de olho com edema de papila bilateral. Com base nesse caso clínico, quais são a hipótese diagnóstica mais provável e o exame complementar mais indicado para investigação inicial?
Cefaleia matinal + vômitos + ataxia + edema de papila em criança = Tumor de Fossa Posterior → RM de Crânio.
Tumores de fossa posterior, como o ependimoma, causam hidrocefalia obstrutiva e sinais cerebelares. A investigação deve ser imediata com neuroimagem, preferencialmente RM.
O ependimoma é o terceiro tumor cerebral mais comum em crianças. Cerca de 90% dos ependimomas pediátricos localizam-se na fossa posterior. O quadro clínico é dominado pela síndrome de hipertensão intracraniana (HIC) decorrente da hidrocefalia obstrutiva no nível do quarto ventrículo. A presença de edema de papila bilateral e sinal de Babinski (indicando comprometimento do trato corticoespinhal no tronco) reforça a gravidade.\n\nO diagnóstico diferencial inclui o meduloblastoma e o astrocitoma pilocítico. A investigação inicial deve ser feita com neuroimagem urgente. A punção lombar é contraindicada na presença de efeito de massa na fossa posterior. O tratamento envolve ressecção cirúrgica máxima possível, frequentemente seguida de radioterapia, dependendo da idade da criança e do grau histológico do tumor.
O ependimoma frequentemente se origina no assoalho do quarto ventrículo. O crescimento tumoral obstrui a circulação do líquor, causando hidrocefalia obstrutiva e hipertensão intracraniana, que se manifesta classicamente com cefaleia e vômitos ao acordar devido ao aumento da pressão durante o decúbito noturno.
Os principais sinais incluem ataxia de marcha (dificuldade para andar), dismetria (erro na pontaria de movimentos), nistagmo (movimentos oculares involuntários) e paralisias de nervos cranianos (como a diplopia por acometimento do VI par).
A Ressonância Magnética (RM) oferece uma resolução muito superior para a fossa posterior, permitindo visualizar a relação do tumor com o tronco encefálico e o quarto ventrículo, além de detectar pequenas metástases leptomeníngeas, sendo essencial para o planejamento cirúrgico.
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