FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Uma paciente de 39 anos, G3C3, queixa-se de dismenorreia progressiva intensa e hipermenorragia com início há 4 anos. Ao exame ginecológico, constata-se útero difuso e simetricamente aumentado de volume, de consistência discretamente aumentada e sem alterações palpáveis em anexo. Biópsia de endométrio normal. Avaliando o caso, a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável, baseada apenas nessas informações, é:
Dismenorreia progressiva + Hipermenorragia + Útero globoso/simétrico = Adenomiose.
A adenomiose é a presença de glândulas e estroma endometrial no miométrio, resultando em um útero difusamente aumentado, doloroso e com sangramento aumentado.
A adenomiose é uma condição ginecológica comum, frequentemente subdiagnosticada, que afeta principalmente mulheres multíparas entre a quarta e quinta décadas de vida. A fisiopatologia envolve a invaginação da camada basal do endométrio para o interior do miométrio, o que gera hipertrofia e hiperplasia das fibras musculares adjacentes, explicando o aumento global do órgão. Os sintomas clássicos são a dismenorreia secundária (que piora com o tempo) e o aumento do fluxo menstrual (hipermenorragia). No exame físico, o achado de um útero globoso e simétrico é altamente sugestivo. O diagnóstico diferencial principal é a miomatose uterina, mas outras condições como pólipos e hiperplasia endometrial devem ser excluídas, especialmente em pacientes com sangramento uterino anormal. O tratamento varia desde o controle hormonal (DIU de levonorgestrel, progestágenos) até a histerectomia em casos refratários e com prole constituída.
Na adenomiose, o útero apresenta-se difusamente aumentado de volume, assumindo uma forma 'globosa'. Diferente da miomatose uterina, onde o aumento costuma ser irregular e nodular devido aos diversos núcleos de miomas, na adenomiose o aumento é tipicamente simétrico. A consistência pode estar discretamente amolecida ou aumentada, e é comum a paciente referir dor à palpação uterina, especialmente no período perimenstrual, refletindo a atividade inflamatória do tecido endometrial ectópico dentro do miométrio.
Embora ambas envolvam tecido endometrial fora da cavidade uterina e causem dismenorreia, a adenomiose é frequentemente chamada de 'endometriose interna', pois o tecido está infiltrado na musculatura uterina (miométrio). Clinicamente, a adenomiose está mais associada à hipermenorragia (sangramento menstrual aumentado) e ao aumento do volume uterino. Já a endometriose clássica (externa) envolve implantes no peritônio, ovários ou outros órgãos pélvicos, frequentemente cursando com dor pélvica crônica e infertilidade, mas sem necessariamente alterar o volume uterino.
O diagnóstico definitivo da adenomiose é histopatológico, realizado após a análise do útero retirado em uma histerectomia. No entanto, na prática clínica, o diagnóstico de presunção é feito com base na história clínica (dismenorreia progressiva e hipermenorragia) e exames de imagem. A ultrassonografia transvaginal pode mostrar miométrio heterogêneo e áreas hipoecoicas, mas a Ressonância Magnética (RM) de pelve é o exame de imagem mais acurado, evidenciando o espessamento da zona juncional miometrial (geralmente > 12 mm).
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