Giardíase: Diagnóstico, Transmissão e Impacto no Saneamento

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024

Enunciado

Uma família que reside na periferia urbana recebe a visita de médico que constata que as crianças (menina de 8 anos e menino de 1 ano) e sua mãe estão apresentando diarreia esverdeada, explosiva, aquosa, fétida, com fezes em grande quantidade e com restos alimentares; sem febre, sendo esses episódios repetidos nos últimos seis meses. Referem cólicas e aumento do volume abdominal, tendo a criança menor apresentado sintomas no dia da consulta. As crianças pararam de beber leite pois aumentava os sintomas. Já haviam comparecido na UBS onde exames foram solicitados, mas não realizados. Apresentam regular estado geral, hidratados, afebris e corados. O menino cursa com discreta distensão abdominal nesta data.Considerando o diagnóstico mais provável, é importante obter informações na visita domiciliar sobre

Alternativas

  1. A) o consumo de glúten pela família.
  2. B) a presença de água encanada na residência.
  3. C) a visualização de parasitas nas fezes.
  4. D) as alergias alimentares na família

Pérola Clínica

Diarreia crônica + Esteatorreia + Distensão + Intolerância à lactose secundária → Pensar em Giardíase.

Resumo-Chave

A giardíase causa má-absorção por acarpetamento da mucosa intestinal, levando a fezes fétidas e intolerância temporária à lactose; a transmissão é fecal-oral, ligada à água não tratada.

Contexto Educacional

A giardíase, causada pelo protozoário flagelado Giardia lamblia, é uma das parasitoses intestinais mais comuns no mundo, com alta prevalência em áreas de vulnerabilidade social. O quadro clínico varia de portadores assintomáticos a síndromes de má-absorção graves. A característica 'explosiva' e o odor fétido das fezes decorrem da esteatorreia e da fermentação de carboidratos não absorvidos. No contexto da visita domiciliar na Estratégia Saúde da Família, a identificação de múltiplos casos no mesmo núcleo familiar com sintomas clássicos aponta para uma fonte comum de contaminação. A investigação sobre a presença de água encanada e o tratamento da água consumida é prioritária, pois a Giardia possui uma dose infectante muito baixa (10 a 100 cistos). O tratamento medicamentoso de escolha envolve nitroimidazólicos (como tinidazol ou metronidazol) ou nitazoxanida.

Perguntas Frequentes

Por que a giardíase causa intolerância ao leite?

A Giardia lamblia adere ao epitélio do intestino delgado, causando um processo inflamatório que leva ao encurtamento das vilosidades e à perda de enzimas da borda em escova, como a lactase. Essa deficiência secundária de lactase impede a digestão adequada da lactose, que sofre fermentação bacteriana no cólon, resultando em gases, distensão abdominal e diarreia osmótica após o consumo de laticínios. Geralmente, essa intolerância é reversível após o tratamento eficaz da parasitose.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da giardíase?

O diagnóstico padrão é o Exame Parasitológico de Fezes (EPF) para pesquisa de cistos ou trofozoítos. Devido à eliminação intermitente do parasita, recomenda-se a coleta de pelo menos três amostras em dias alternados para aumentar a sensibilidade. Em casos de alta suspeita clínica com EPF negativo, podem ser realizados testes imunoenzimáticos (ELISA) para detecção de antígenos fecais ou, mais raramente, o aspirado duodenal.

Qual a relação entre saneamento básico e a persistência da giardíase na família?

A Giardia é transmitida pela via fecal-oral, principalmente através da ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos resistentes ao meio ambiente. Em áreas sem água encanada tratada ou esgotamento sanitário adequado, o ciclo de reinfecção familiar é frequente. Os cistos são resistentes à cloração padrão da água, exigindo filtração ou fervura para eliminação, tornando a infraestrutura de saneamento o principal pilar de prevenção coletiva.

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