IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Uma escolar de 8 anos dá entrada na unidade de emergência com edema labial e bipalpebral, associado a urticária, estando presentes placas eritematopapulosas ocupando a maior parte dos membros superiores e inferiores. A mãe relata que a menor ingeriu uma barra de granola à base de nozes há cerca de 15 minutos. No setor, ela se queixa de dificuldade para respirar e vomita em grande quantidade. A ausculta pulmonar revela a presença de leve sibilância. O primeiro passo indicado para o tratamento desta reação alérgica é:
Anafilaxia (≥2 sistemas ou hipotensão após alérgeno) → Adrenalina IM imediata.
A adrenalina é a droga de primeira escolha e deve ser administrada via intramuscular no vasto lateral da coxa. Anti-histamínicos e corticoides são apenas adjuvantes.
A anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica grave, de rápida evolução e potencialmente fatal. Em pediatria, as causas alimentares (leite, ovo, castanhas) são as mais comuns. A fisiopatologia envolve a degranulação massiva de mastócitos e basófilos, liberando histamina e outros mediadores que causam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e broncoespasmo. O tratamento imediato com adrenalina é crucial porque ela atua como um antagonista fisiológico: promove vasoconstrição (alfa-1), reduz o edema de mucosas, causa broncodilatação (beta-2) e aumenta o débito cardíaco (beta-1). O atraso na sua administração é o principal fator de risco para fatalidades na anafilaxia.
A via intramuscular (IM) no vasto lateral da coxa é a preferida porque proporciona uma absorção mais rápida e níveis plasmáticos mais altos e consistentes de adrenalina em comparação com a via subcutânea. Além disso, é mais segura que a via intravenosa em ambientes não monitorados, apresentando menor risco de arritmias graves e erros de dosagem, sendo o padrão-ouro no tratamento inicial da anafilaxia.
A anafilaxia é provável quando há início agudo (minutos a horas) de envolvimento da pele/mucosas (urticária, prurido, edema) associado a pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório (dispneia, sibilância, estridor) ou redução da pressão arterial/disfunção orgânica. Também é diagnosticada se houver envolvimento de dois ou mais sistemas (pele, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após exposição a um alérgeno provável.
A dose recomendada de adrenalina (1 mg/mL ou 1:1000) é de 0,01 mg/kg por via intramuscular, até um máximo de 0,3 mg em crianças e 0,5 mg em adolescentes/adultos. A aplicação deve ser feita no terço médio da face anterolateral da coxa. Se não houver melhora clínica, a dose pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos.
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