Varicela: Profilaxia em Contactantes de Alto Risco Pediátrico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Em uma enfermaria de pediatria, um dos pacientes inicia quadro de febre baixa e aparecimento de vesículas em tronco, couro cabeludo e face, de conteúdo claro, pruriginosas e que se rompem com facilidade. Ao exame dermatológico há presença de vesículas, algumas lesões exulceradas e crostas. Este paciente divide uma enfermaria com outros dois pacientes: paciente 1- prematuro de 35 semanas de idade gestacional, com 1 mês e 20 dias de idade cronológica, finalizando tratamento de pneumonia. Paciente 2- menino de 5 anos de idade, sem comorbidades, esquema vacinal completo, em tratamento de celulite no pé. Em relação aos contactantes do paciente com varicela, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) ambos devem receber vacinação de bloqueio para Varicela.
  2. B) o paciente 1 deve receber imunoglobulina para evitar Varicela e o paciente 2 não necessita de profilaxia.
  3. C) o paciente 1 deve receber imunoglobulina e tratamento profilático com Aciclovir oral para evitar Varicela grave.
  4. D) ambos devem receber vacinação de bloqueio
  5. E) tratamento profilático com Aciclovir oral para evitar Varicela grave. 

Pérola Clínica

Contactante de varicela: prematuro/imunocomprometido → VZIG. Vacinado → sem profilaxia.

Resumo-Chave

A profilaxia pós-exposição para varicela varia conforme o status imunológico e vacinal do contactante. O paciente 1, sendo prematuro e com idade cronológica muito jovem, é considerado de alto risco para varicela grave e deve receber imunoglobulina (VZIG). O paciente 2, com esquema vacinal completo, é considerado imune e não necessita de profilaxia.

Contexto Educacional

A varicela, causada pelo vírus Varicela-Zoster, é uma doença altamente contagiosa, especialmente em ambientes fechados como enfermarias pediátricas. A profilaxia pós-exposição é crucial para prevenir a doença ou atenuar sua gravidade em indivíduos suscetíveis, especialmente aqueles com alto risco de complicações. O manejo dos contactantes depende do seu status imunológico, idade e histórico vacinal. Para contactantes de alto risco, como o paciente 1 (prematuro de 1 mês e 20 dias), a imunoglobulina para varicela-zoster (VZIG) é a intervenção de escolha. Prematuros, especialmente os muito jovens ou com baixo peso, são vulneráveis a formas graves da doença devido à imaturidade imunológica. A VZIG fornece anticorpos passivos, conferindo proteção imediata. O Aciclovir, por outro lado, é um antiviral usado para tratamento da doença estabelecida ou para profilaxia em cenários muito específicos, não sendo a primeira linha para profilaxia pós-exposição em prematuros. Para contactantes saudáveis e com esquema vacinal completo, como o paciente 2, não há necessidade de profilaxia adicional, pois a vacinação confere proteção eficaz. A vacinação de bloqueio é reservada para indivíduos suscetíveis e saudáveis, administrada dentro de um período específico após a exposição para tentar prevenir a doença. Compreender essas nuances é vital para a segurança do paciente e o controle de infecções em ambientes hospitalares.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais grupos de alto risco que necessitam de imunoglobulina para varicela (VZIG) após exposição?

Os grupos de alto risco incluem imunocomprometidos (HIV, quimioterapia), gestantes suscetíveis, recém-nascidos de mães com varicela periparto, prematuros (especialmente <28 semanas ou <1000g, ou expostos e nascidos de mães sem imunidade), e indivíduos suscetíveis com doença pulmonar crônica grave.

Quando a vacinação de bloqueio para varicela é indicada?

A vacinação de bloqueio é indicada para contactantes suscetíveis (não vacinados e sem história prévia de varicela) e saudáveis, com idade igual ou superior a 9 meses, se administrada em até 3 a 5 dias após a exposição. Não é indicada para grupos de alto risco que necessitam de VZIG.

O Aciclovir tem papel na profilaxia pós-exposição à varicela?

O Aciclovir não é recomendado rotineiramente para profilaxia pós-exposição em contactantes saudáveis. Seu uso é primariamente para tratamento de varicela em pacientes de alto risco ou com doença grave, ou para profilaxia em situações muito específicas, como em imunocomprometidos onde VZIG não está disponível ou é contraindicado, mas não é a primeira escolha para profilaxia primária.

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