Hemartrose em Crianças: Investigação e Diagnóstico

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma criança do sexo masculino de dois anos de idade é atendida, com história de dor e edema em joelho direito há dois dias. Exame físico: criança hiperativa, com bom estado geral, afebril. Ainda no Serviço de Emergência, foi realizada punção articular evidenciando hemartrose. Foram realizados exames laboratoriais. Dentre os resultados de exames laboratoriais abaixo, o esperado para este paciente é:

Alternativas

  1. A) tempo de protrombina aumentado.
  2. B) aumento do fator VIII da coagulação.
  3. C) tempo de tromboplastina parcial ativada prolongado.
  4. D) plaquetopenia grave.

Pérola Clínica

Criança com hemartrose espontânea + TTPA prolongado → Suspeita de hemofilia (deficiência de Fator VIII ou IX).

Resumo-Chave

Hemartrose em crianças, especialmente sem trauma significativo, é um forte indicativo de coagulopatia. O prolongamento isolado do Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA), com TP e plaquetas normais, sugere deficiência de fatores da via intrínseca, como os fatores VIII ou IX, característicos da hemofilia.

Contexto Educacional

A hemartrose, ou sangramento dentro de uma articulação, é uma manifestação clínica grave e comum de distúrbios de coagulação, especialmente em crianças. Quando ocorre de forma espontânea ou após um trauma mínimo, deve-se levantar a forte suspeita de uma coagulopatia hereditária. A hemofilia é a mais prevalente dessas condições, sendo um distúrbio recessivo ligado ao cromossomo X, o que explica sua maior ocorrência em meninos. A hemofilia A é causada pela deficiência do Fator VIII, enquanto a hemofilia B é pela deficiência do Fator IX. O diagnóstico laboratorial inicial de uma coagulopatia envolve a avaliação dos tempos de coagulação. O Tempo de Protrombina (TP) avalia a via extrínseca e comum, enquanto o Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA) avalia a via intrínseca e comum. Na hemofilia, a deficiência dos fatores VIII ou IX afeta a via intrínseca, resultando em um TTPA prolongado. A contagem de plaquetas e o TP geralmente são normais, o que ajuda a diferenciar a hemofilia de outras coagulopatias, como a doença de von Willebrand ou plaquetopenias. Uma vez que o TTPA prolongado é identificado, a próxima etapa diagnóstica é a dosagem específica dos fatores VIII e IX para confirmar o tipo e a gravidade da hemofilia. O tratamento da hemartrose e da hemofilia envolve a reposição do fator deficiente, seja de forma profilática ou sob demanda, para prevenir danos articulares crônicos e outras complicações hemorrágicas. A educação dos pais e da criança sobre a doença e a importância da adesão ao tratamento são fundamentais.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de hemartrose espontânea em crianças?

A principal causa de hemartrose espontânea ou desproporcional ao trauma em crianças é a hemofilia, um distúrbio genético da coagulação caracterizado pela deficiência de fatores VIII (Hemofilia A) ou IX (Hemofilia B).

Por que o TTPA é prolongado na hemofilia?

O Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA) avalia a via intrínseca e a via comum da coagulação. Na hemofilia, a deficiência dos fatores VIII ou IX, que são componentes da via intrínseca, leva ao prolongamento do TTPA.

Como diferenciar hemofilia A de hemofilia B pelos exames laboratoriais?

Ambas as hemofilias A e B cursam com TTPA prolongado. A diferenciação é feita pela dosagem específica dos fatores de coagulação: na hemofilia A, há deficiência de Fator VIII; na hemofilia B, há deficiência de Fator IX.

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