SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 65 anos de idade compareceu à consulta com queixa de polidipsia, polifagia, poliúria e perda ponderai de 5 kg nos últimos três meses. Queixa-se também de humor deprimido, anedonia e avolia. Tabagista, possui diagnósticos de hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e depressão. Faz uso de amitriptilina 25 mg à noite, enalapril 10 mg, 2 vezes ao dia, hidroclorotiazida 25 mg, 1 vez ao dia e salbutamol inalatório sob demanda. Ao exame físico apresenta mancha hiperpigmentada em região de dobra cervical, aveludada à palpação. Observou-se PA =160 mmHg x 110 mmHg em ambos os membros superiores. Foi realizada medida de HGT, com resultado de 320 mg/dL. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.O fumo é um fator de risco totalmente evitável de doença e morte cardiovasculares, e seu enfrentamento precisa ser feito.
Tabagismo = principal fator de risco cardiovascular evitável e causa de morte prematura.
A cessação do tabagismo é a intervenção de saúde pública com melhor custo-benefício para reduzir a morbimortalidade cardiovascular e progressão de doenças pulmonares.
O tabagismo é um dos pilares da síndrome metabólica e um potente acelerador da aterogênese. As substâncias presentes no cigarro promovem estresse oxidativo, inflamação vascular e um estado pró-trombótico, aumentando o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica. No contexto da paciente idosa com múltiplas comorbidades (HAS, DPOC, Diabetes provável pela acantose e HGT elevada), a cessação do tabagismo é prioritária. Além de reduzir o risco cardiovascular, a interrupção do fumo é a única medida que comprovadamente reduz a velocidade de queda do VEF1 na DPOC, melhorando o prognóstico global da paciente.
Diferente de fatores como idade, sexo ou genética, o tabagismo é um comportamento modificável. A interrupção do hábito depende de intervenções comportamentais e farmacológicas, sendo totalmente passível de eliminação, o que previne o desenvolvimento de diversas patologias sistêmicas.
O fumo causa ativação do sistema nervoso simpático e disfunção endotelial imediata, levando a aumentos agudos da pressão arterial e da frequência cardíaca. A longo prazo, contribui para a rigidez arterial e acelera o processo de aterosclerose, dificultando o controle da hipertensão arterial sistêmica.
Em apenas 20 minutos após parar de fumar, a pressão arterial e a frequência cardíaca começam a baixar. Em 12 a 24 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue normalizam e o risco de infarto agudo do miocárdio já começa a declinar, demonstrando a eficácia imediata da interrupção.
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