Ultrassonografia Endoscópica na Microlitíase Biliar

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 55 anos, com índice de massa corporal > 30kg/m², apresenta dor subcostal à direita. Exames laboratoriais: fosfatase alcalina e gama-GT aumentadas; aminotransferases elevadas, mas que reduziram para valores próximos da normalidade em 48 horas. US abdominal e colangiorressonância magnética não revelaram anormalidades biliares ou pancreáticas. Pode-se afirmar que o exame mais adequado, neste momento, para esclarecer o diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) US endoscópica.
  2. B) TC do abdomen superior.
  3. C) elastografia hepática.
  4. D) RM multiparamétrica.

Pérola Clínica

Elevação transitória de transaminases + Colangio-RM normal → Solicitar US Endoscópica para excluir microlitíase.

Resumo-Chave

A ultrassonografia endoscópica (EUS) possui sensibilidade superior à colangiorressonância para detectar cálculos biliares menores que 5mm e lama biliar.

Contexto Educacional

O diagnóstico de doenças biliares pode ser desafiador quando os exames de imagem convencionais são negativos. A microlitíase (cálculos < 3mm) e a lama biliar são causas frequentes de dor biliar e pancreatite recorrente. O paciente do caso apresenta fatores de risco (obesidade) e um perfil laboratorial de colestase transitória. A Ultrassonografia Endoscópica (EUS) posiciona o transdutor de alta frequência muito próximo ao colédoco distal e à vesícula biliar, eliminando a interferência de gases intestinais e gordura abdominal. Por ser um exame minimamente invasivo, é preferível à CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) para fins puramente diagnósticos, reservando-se a CPRE para o tratamento (retirada do cálculo) devido ao risco de complicações como pancreatite pós-procedimento.

Perguntas Frequentes

Qual a vantagem da US endoscópica sobre a colangio-RM?

A Ultrassonografia Endoscópica (EUS) tem uma resolução espacial significativamente maior que a Colangiorressonância (CPRM), permitindo a identificação de cálculos muito pequenos (microlitíase) e lama biliar que frequentemente passam despercebidos na CPRM. Enquanto a CPRM tem excelente acurácia para cálculos > 5mm, sua sensibilidade cai drasticamente para lesões menores, onde a EUS mantém sensibilidade superior a 90%.

O que sugere a queda rápida das transaminases neste paciente?

A elevação súbita seguida de queda rápida (em 24-48 horas) das aminotransferases (AST/ALT) é um padrão clássico de 'passagem de cálculo' pela via biliar comum. O cálculo causa uma obstrução aguda e transitória, gerando pico enzimático, e a normalização ocorre assim que o cálculo progride para o duodeno ou a pressão biliar é aliviada.

Quando indicar a US endoscópica na investigação biliar?

A EUS está indicada em pacientes com suspeita de coledocolitíase de probabilidade intermediária, quando exames não invasivos (como US de abdome ou CPRM) são inconclusivos, ou na investigação de pancreatite aguda dita 'idiopática', onde a microlitíase é a causa oculta em até 70% dos casos.

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