Úlceras Arteriais: Diagnóstico e Características Clínicas

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 72 anos do sexo feminino, tabagista há 50 anos, foi atendida na unidade de saúde com queixa de hematêmese. Solicitados endoscopia digestiva e biópsia que revelaram neoplasia maligna do fundo do estômago. Encaminhada para tratamento oncológico com boa evolução com tratamento quimioterápico. Após 5 meses, a paciente apresentou hemoptise e a tomografia computadorizada mostrou metástases pulmonares, desenvolvendo neoplasia maligna secundária dos pulmões. O quadro clínico foi progressivamente piorando e durante a internação, contraiu pneumonia por pseudomonas, evoluindo para insuficiência respiratória aguda e óbito. Baseado neste caso, para o preenchimento da Declaração de Óbito: As úlceras crônicas vasculogênicas podem ser de origem venosa, arteriais e mistas e possuem características que as diferenciam. As Úlceras Arteriais de Membro Inferior apresentam:

Alternativas

  1. A) Desenvolvimento lento, geralmente localizado próximo ao maléolo lateral.
  2. B) Margens irregulares e elevadas, tamanhos variáveis podendo ser muito extensas.
  3. C) Na área adjacente cera, pode ocorrer hiperpigmentação (dermatite ocre).
  4. D) Aumento da dor após exercícios ou noite e diminuição da dor na posição pendente.

Pérola Clínica

Úlcera arterial: dor ↑ com elevação/exercício e ↓ em posição pendente (gravidade auxilia perfusão).

Resumo-Chave

Úlceras arteriais resultam de hipóxia tecidual por má perfusão; a dor é intensa, piora ao deitar (perda do auxílio gravitacional) e melhora com pernas pendentes.

Contexto Educacional

As úlceras de membros inferiores representam um desafio diagnóstico importante na prática clínica, sendo divididas principalmente em venosas, arteriais e neuropáticas. As úlceras arteriais são manifestações graves da Doença Arterial Periférica (DAP), indicando isquemia crítica. A fisiopatologia envolve a obstrução do fluxo sanguíneo, levando à necrose tecidual por falta de oxigênio e nutrientes. Clinicamente, a dor é o sintoma cardinal, sendo referida como intensa e de difícil controle, muitas vezes impedindo o sono (dor de repouso). O exame físico deve focar na palpação de pulsos (femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso) e na avaliação do índice tornozelo-braquial (ITB). O tratamento foca na revascularização do membro e controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular para evitar amputações.

Perguntas Frequentes

Por que a dor da úlcera arterial melhora na posição pendente?

A melhora ocorre porque a gravidade auxilia o fluxo sanguíneo arterial em direção às extremidades isquêmicas, aumentando a pressão de perfusão capilar e reduzindo temporariamente a hipóxia tecidual. Em contraste, a elevação do membro dificulta ainda mais a chegada de sangue oxigenado, exacerbando a dor isquêmica.

Quais as principais características morfológicas da úlcera arterial?

Geralmente são úlceras profundas, com bordas bem delimitadas (aspecto 'em saca-bocado'), fundo pálido ou necrótico e pouca exsudação. Localizam-se preferencialmente em áreas de pressão ou extremidades distais, como artelhos e calcâneo, diferentemente das venosas que são mais maleolares e superficiais.

Qual o perfil do paciente com úlcera arterial?

Tipicamente são pacientes com fatores de risco para aterosclerose, como tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão e dislipidemia. Frequentemente apresentam história prévia de claudicação intermitente e sinais de insuficiência arterial crônica, como pele fina, ausência de pelos e pulsos distais reduzidos ou ausentes.

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