Úlceras Anais em HIV+: Diagnóstico Diferencial de ISTs

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 24 anos de idade, HIV +, com CD4 200 e carga viral negativa, refere incômodo e saída de secreção anal após coito anal receptivo sem proteção. Ao exame físico, apresenta úlceras anais e perianais, com saída de pequena quantidade de secreção mucopurulenta. Com base nesse caso hipotético, é correto afirmar que há suspeita do(s) seguinte(s) diagnóstico(s): 

Alternativas

  1. A) sífilis; herpes; cancroide; e donovanose. 
  2. B) herpes; condiloma acuminado; linfogranuloma venéreo; e molusco contagioso. 
  3. C) cancroide; linfogranuloma venéreo; sífilis; e úlcera idiopática do HIV.
  4. D) úlcera idiopática do HIV; donovanose; cancroide; e condiloma acuminado. 
  5. E) trauma relacionado ao coito anal receptivo.

Pérola Clínica

Úlceras anais + secreção em HIV+ após coito anal → Sífilis, Herpes, Cancroide, Donovanose são diferenciais chave.

Resumo-Chave

Em pacientes HIV positivos com úlceras anais e secreção após coito anal desprotegido, o espectro de ISTs é amplo e inclui sífilis, herpes, cancroide e donovanose. A imunossupressão pelo HIV pode modificar a apresentação e a gravidade dessas infecções, exigindo uma investigação diagnóstica completa.

Contexto Educacional

Pacientes HIV positivos, especialmente aqueles com contagem de CD4 mais baixa (como 200 células/mm³), são mais suscetíveis a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e podem apresentar manifestações atípicas ou mais graves. O coito anal receptivo desprotegido é um fator de risco significativo para ISTs anais. A presença de úlceras anais e secreção mucopurulenta exige uma investigação abrangente. O diagnóstico diferencial de úlceras anais em pacientes HIV+ é amplo e inclui sífilis (cancro duro), herpes genital (lesões vesiculares que evoluem para úlceras dolorosas), cancroide (úlceras dolorosas com bordas irregulares e linfadenopatia supurativa), e donovanose (granuloma inguinal, lesões granulomatosas indolores e progressivas). O linfogranuloma venéreo também pode causar úlceras e linfadenopatia inguinal. A avaliação deve incluir exame físico detalhado, coleta de amostras das úlceras para PCR (herpes, cancroide) e cultura, sorologia para sífilis (VDRL/RPR e FTA-Abs/TPHA) e HIV, se ainda não diagnosticado. O tratamento é específico para cada IST, mas a abordagem sindrômica pode ser iniciada enquanto se aguardam os resultados. Aconselhamento sobre sexo seguro e testagem de parceiros são fundamentais.

Perguntas Frequentes

Quais ISTs causam úlceras anais em pacientes HIV+?

As principais ISTs que causam úlceras anais em pacientes HIV+ incluem sífilis (cancro duro), herpes genital (lesões vesiculares que ulceram), cancroide (úlceras dolorosas com bordas irregulares) e donovanose (granuloma inguinal).

Como a sífilis anal se manifesta em pacientes HIV positivos?

A sífilis anal pode se manifestar como um cancro duro indolor, mas em pacientes HIV+ pode ter apresentações atípicas, ser mais agressiva e ter um curso mais rápido, com múltiplas lesões ou lesões dolorosas.

Qual a importância da carga viral e CD4 no diagnóstico de ISTs em HIV+?

A carga viral e a contagem de CD4 são importantes indicadores do estado imunológico do paciente HIV+. Um CD4 baixo pode indicar maior risco de infecções oportunistas e apresentações atípicas de ISTs, enquanto uma carga viral indetectável reduz o risco de transmissão do HIV, mas não de outras ISTs.

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