UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025
Paciente, sexo feminino, 60 anos de idade, vem à emergência queixando-se de extensa ferida na perna, que não cicatriza. Refere que a lesão, inicialmente, era pequena e que, há 4 meses, apresenta crescimento progressivo. Previamente, é hipertensa e refere tratamento para câncer de mama e episódio de trombose venosa no mesmo membro há cerca de 3 anos. Ao exame físico, foi detectada a presença de pulsos distais e úlcera de 5 cm de diâmetro, localizada no maléolo medial, de bordas irregulares com tecido de granulação e fibrina, pouco dolorosa ao toque. Acerca do caso descrito, assinale a alternativa correta.
Úlcera maléolo medial + história TVP + pulsos presentes = Úlcera venosa pós-trombótica.
A localização no maléolo medial, a história de trombose venosa profunda (TVP) prévia no mesmo membro e a presença de pulsos distais são características clássicas de úlcera venosa crônica, frequentemente associada à síndrome pós-trombótica, que causa hipertensão venosa e danos teciduais.
As úlceras de perna são um desafio diagnóstico e terapêutico comum na prática médica, com a úlcera venosa crônica (UVC) sendo a etiologia mais frequente, correspondendo a cerca de 70-80% dos casos. A UVC é uma manifestação avançada da insuficiência venosa crônica (IVC), que pode ser primária ou secundária a eventos como a trombose venosa profunda (TVP), resultando na síndrome pós-trombótica (SPT). A fisiopatologia da UVC e SPT envolve a hipertensão venosa persistente, que leva à disfunção da microcirculação, extravasamento de fibrina e células inflamatórias, resultando em edema, inflamação crônica, lipodermatoesclerose e, eventualmente, necrose tecidual e ulceração. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na história (TVP prévia, varizes, edema) e nas características da úlcera (localização maleolar medial, bordas irregulares, pouco dolorosa, pulsos presentes). Exames complementares como o ultrassom Doppler venoso são essenciais para confirmar a insuficiência venosa e planejar o tratamento. O manejo da UVC e SPT é multifacetado, com a terapia compressiva sendo a pedra angular para reduzir a hipertensão venosa e promover a cicatrização. Além disso, envolve desbridamento da ferida, controle de infecção, elevação do membro e, em casos selecionados, cirurgia para correção da insuficiência venosa ou enxertos de pele. A prevenção de recorrências é crucial e baseia-se na manutenção da compressão e no manejo dos fatores de risco.
Úlceras venosas geralmente localizam-se na região maleolar medial, são superficiais, com bordas irregulares, leito com tecido de granulação e fibrina, e frequentemente acompanhadas de edema, hiperpigmentação (dermatite ocre) e lipodermatoesclerose.
A TVP pode danificar as válvulas venosas e/ou causar obstrução persistente, levando à hipertensão venosa crônica no membro afetado. Essa hipertensão causa extravasamento de fluidos e proteínas, inflamação e remodelação tecidual, culminando na formação de úlceras.
O tratamento principal envolve a compressão elástica (meias de compressão ou bandagens) para reduzir a hipertensão venosa, além de cuidados com a ferida, elevação do membro e, em alguns casos, intervenções para tratar a insuficiência venosa subjacente.
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