Úlcera Pós-BCG: Diagnóstico e Conduta Adequada

UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2020

Enunciado

Criança de cinco meses de idade, sexo masculino, em acompanhamento médico por apresentar úlcera com diâmetro maior de 1 cm no local da aplicação da vacina BCG, desde os primeiros meses de vida. Selecione a conduta adequada para essa situação baseado nas recomendações atuais do Ministério da Saúde.

Alternativas

  1. A) Notificar, acompanhar e iniciar isoniazida na dose de 10mg/kg/dia, até regressão da lesão.
  2. B) Realizar biópsia das bordas da lesão e prescrever antibiótico tópico - pomada (Neomicina com Bacitramicina até resultado da biópsia.
  3. C) Realizar tratamento com Cefalexina na dose de 50mg/kg/dia por 10 dias e antibiótico tópico - pomada (Neomicina com Bacitramicina).
  4. D) Para garantir que a vacina não perca o efeito de proteção, não é recomendado uso da isoniazida e rifampicina, sendo recomendada somente solicitação de hemograma, subpopulações de linfócitos e dosagem das imunoglobulinas para investigação de doenças imunológicas congênitas.
  5. E) Notificar, acompanhar e iniciar isoniazida na dose de 10mg/kg/dia, rifampicina na dose de 10mg/kg/dia, pirazinamida na dose de 25mg/kg/dia até regressão da lesão.

Pérola Clínica

Úlcera pós-BCG > 1 cm → notificar, acompanhar, iniciar Isoniazida 10mg/kg/dia até regressão.

Resumo-Chave

Úlceras maiores que 1 cm no local da vacina BCG são consideradas reações adversas graves e devem ser notificadas, acompanhadas e tratadas com Isoniazida, pois podem indicar uma infecção local persistente pelo bacilo vacinal.

Contexto Educacional

A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é amplamente utilizada para prevenir formas graves de tuberculose em crianças. Embora seja uma vacina segura, pode causar reações adversas locais, sendo a úlcera no local da aplicação uma das mais comuns. A maioria das reações locais é benigna e se resolve espontaneamente, mas úlceras maiores que 1 cm ou persistentes são consideradas complicações e requerem atenção especial. A úlcera pós-BCG é uma reação granulomatosa local causada pela replicação do bacilo vacinal. Geralmente, surge entre 4 a 6 semanas após a vacinação e pode evoluir para uma úlcera que cicatriza espontaneamente. No entanto, quando a úlcera tem diâmetro maior que 1 cm e persiste por meses, é um sinal de complicação. O diagnóstico é clínico, e a suspeita deve ser alta em qualquer lesão persistente ou grande no local da vacina. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, úlceras pós-BCG com diâmetro maior que 1 cm devem ser notificadas como evento adverso. A conduta adequada inclui acompanhamento clínico e o início de tratamento com Isoniazida na dose de 10mg/kg/dia, que deve ser mantida até a completa regressão da lesão. Não é recomendado o uso de antibióticos tópicos ou outros esquemas antituberculosos mais complexos, a menos que haja disseminação da infecção. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, resultando em cicatrização da úlcera.

Perguntas Frequentes

Quando uma úlcera no local da BCG é considerada uma complicação?

Uma úlcera no local da BCG é considerada uma complicação quando seu diâmetro é maior que 1 cm, quando persiste por mais de 12 semanas ou quando há drenagem purulenta persistente. Pequenas úlceras ou cicatrizes são reações esperadas.

Qual o tratamento recomendado para úlcera pós-BCG com mais de 1 cm?

O tratamento recomendado pelo Ministério da Saúde para úlceras pós-BCG com diâmetro maior que 1 cm é a notificação do evento adverso, acompanhamento clínico e início de Isoniazida na dose de 10mg/kg/dia, mantida até a regressão completa da lesão.

Por que a Isoniazida é usada no tratamento da úlcera pós-BCG?

A Isoniazida é utilizada porque a úlcera pós-BCG é causada por uma infecção localizada pelo próprio bacilo atenuado da vacina (Mycobacterium bovis). A Isoniazida é um tuberculostático eficaz contra micobactérias, controlando a proliferação do bacilo e promovendo a cicatrização da lesão.

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