Úlcera Duodenal Forrest IIa: Risco de Ressangramento e Rockall

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Você está de plantão no pronto-socorro e recebe uma paciente do sexo feminino, de 65 anos, hipertensa, e em tratamento para insuficiência cardíaca congestiva, com história de hematêmese e melena há 1 dia. No exame físico, apresenta-se descorada ++/4+, FC = 110 bpm, Pa = 110 x 70 mmHg e com melena ao toque. Após avaliação inicial, você solicita uma endoscopia digestiva alta. O endoscopista após o exame relata que encontrou uma úlcera duodenal Forrest IIa e realizou escleroterapia. Qual o risco de ressangramento dessa paciente?

Alternativas

  1. A) A paciente apresenta risco elevado para ressangramento, acima de 30% segundo Score de Rockall.
  2. B) A paciente apresenta risco intermediário de novo sangramento.
  3. C) A paciente apresenta baixo risco de ressangramento, abaixo de 20% segundo Score de Rockall.
  4. D) Não é possível determinar o risco de ressangramento segundo o Score de Rockall, pois faltam os dados laboratoriais para sua definição.
  5. E) A paciente tem uma úlcera do tipo Forrest IIa, por isso tem baixo risco de ressangramento.

Pérola Clínica

Úlcera Forrest IIa (vaso visível não sangrante) → alto risco de ressangramento (30-50%), mesmo pós-escleroterapia.

Resumo-Chave

Uma úlcera duodenal Forrest IIa indica a presença de um vaso visível não sangrante. Embora a escleroterapia seja realizada, essa lesão ainda confere um risco elevado de ressangramento (cerca de 30-50%) e requer vigilância e, muitas vezes, terapia combinada. O Score de Rockall, que considera idade, comorbidades, choque e achados endoscópicos, confirmaria esse alto risco.

Contexto Educacional

A hemorragia digestiva alta (HDA) não varicosa, frequentemente causada por úlceras pépticas, é uma emergência médica comum com morbimortalidade significativa. A estratificação de risco é crucial para guiar o manejo e prever o prognóstico, sendo a Classificação de Forrest e o Score de Rockall ferramentas essenciais para residentes. A Classificação de Forrest descreve os achados endoscópicos da úlcera e seu potencial de ressangramento. Uma úlcera Forrest IIa (vaso visível não sangrante) indica um alto risco de ressangramento (30-50%), mesmo após terapia endoscópica inicial como a escleroterapia. O Score de Rockall, por sua vez, é um sistema de pontuação que combina dados clínicos (idade, choque, comorbidades) e endoscópicos para estimar o risco de ressangramento e mortalidade, auxiliando na decisão sobre o nível de cuidado e a necessidade de intervenções adicionais. O manejo da HDA por úlcera péptica envolve estabilização hemodinâmica, terapia endoscópica (escleroterapia, clipagem, coagulação) e uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) em alta dose. Para úlceras de alto risco como Forrest IIa, a vigilância é intensificada, e a terapia combinada (ex: injeção + clipagem) pode ser considerada para reduzir o risco de ressangramento. O conhecimento aprofundado dessas ferramentas e condutas é vital para o residente no pronto-socorro e na enfermaria.

Perguntas Frequentes

O que significa uma úlcera duodenal Forrest IIa?

Uma úlcera Forrest IIa indica a presença de um vaso visível não sangrante na base da úlcera. Essa classificação endoscópica confere um alto risco de ressangramento, justificando intervenção terapêutica.

Quais fatores o Score de Rockall considera para estratificar o risco de ressangramento?

O Score de Rockall considera idade, presença de choque, comorbidades (doença isquêmica cardíaca, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, hepática, malignidade), diagnóstico endoscópico e estigmas de sangramento (como Forrest IIa).

Qual a conduta após a escleroterapia de uma úlcera Forrest IIa?

Após a escleroterapia, a conduta inclui monitorização rigorosa, uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) em alta dose, e avaliação para terapia endoscópica combinada ou cirurgia em caso de falha ou ressangramento, devido ao alto risco inerente.

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