Úlcera Péptica Perfurada: Diagnóstico por Imagem

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 60 anos é atendido no pronto-socorro com histórico de úlcera péptica e apresenta dor abdominal súbita sem sinais de peritonite. A radiografia de tórax mostra pequena quantidade de ar no hipocôndrio esquerdo. Paciente mantém estabilidade hemodinâmica O próximo passo no manejo deste paciente deve ser:

Alternativas

  1. A) Tratamento com inibidores de bomba de prótons.
  2. B) Solicitação de endoscopia digestiva alta.
  3. C) Tomografia computadorizada abdominal com contraste EV.
  4. D) Administração de antiácidos e observação.
  5. E) Cirurgia de urgência.

Pérola Clínica

Dor abdominal súbita + histórico úlcera + ar livre em radiografia = perfuração GI. TC abdominal para confirmar e guiar manejo.

Resumo-Chave

A presença de ar livre no hipocôndrio esquerdo em um paciente com dor abdominal súbita e histórico de úlcera péptica é altamente sugestiva de perfuração gastrointestinal. Embora a radiografia possa mostrar ar subdiafragmático, uma pequena quantidade pode ser difícil de visualizar ou localizar. A tomografia computadorizada abdominal com contraste EV é o exame de escolha para confirmar a perfuração, identificar o local e avaliar a extensão da contaminação, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis.

Contexto Educacional

A úlcera péptica perfurada é uma emergência cirúrgica grave, caracterizada pela ruptura da parede gástrica ou duodenal, resultando em extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal. A apresentação clássica é dor abdominal súbita e intensa, mas a ausência de sinais de peritonite inicial não exclui o diagnóstico, especialmente em pacientes idosos ou imunocomprometidos. O diagnóstico é frequentemente suspeitado pela história clínica e exame físico. A radiografia de tórax em posição ortostática pode revelar pneumoperitônio (ar subdiafragmático), um sinal patognomônico. No entanto, sua sensibilidade não é de 100%, e pequenas perfurações podem não ser detectadas. Nesses casos, a tomografia computadorizada abdominal com contraste é o exame de escolha, pois oferece maior sensibilidade para detectar ar livre e permite localizar a perfuração, avaliar a extensão da contaminação e identificar outras complicações. O manejo inicial envolve estabilização hemodinâmica, analgesia, antibioticoterapia de amplo espectro e inibidores de bomba de prótons. A decisão por cirurgia de urgência é comum, mas em casos selecionados de perfurações pequenas e contidas, com paciente estável e sem peritonite generalizada, pode-se considerar um manejo não operatório, embora seja menos frequente. A TC é crucial para guiar essa decisão.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de uma úlcera péptica perfurada?

Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, frequentemente em 'punhalada', que pode irradiar para o ombro, e sinais de peritonite (abdome em tábua, descompressão brusca dolorosa), embora nem sempre presentes inicialmente.

Por que a tomografia computadorizada é preferível à radiografia para confirmar a perfuração?

A TC é mais sensível para detectar pequenas quantidades de ar livre e pode identificar o local exato da perfuração, além de avaliar a extensão da inflamação e a presença de coleções, informações cruciais para o manejo.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de úlcera péptica perfurada?

Estabilização hemodinâmica, analgesia, antibioticoterapia de amplo espectro, inibidores de bomba de prótons e, após confirmação diagnóstica, avaliação para tratamento cirúrgico, que pode ser de urgência dependendo do quadro.

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