SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020
Paciente 35 anos, apresenta dor crônica em joelho esquerdo, faz uso contínuo de antiinflamatório por conta própria. Há 15 dias queixa de dor epigástrica, em queimação, de forte intensidade, piorada nas últimas 2 horas, quando procurou serviço de urgência. Ao exame presença de dor em epigastro associado á descompressão dolorosa
Dor epigástrica aguda + AINEs + descompressão dolorosa → Úlcera perfurada = Ar subdiafragmático no Rx.
O quadro clínico de dor epigástrica aguda intensa, uso crônico de AINEs e sinais de peritonite (descompressão dolorosa) é altamente sugestivo de úlcera péptica perfurada. O achado clássico no raio-X de abdome agudo em posição ortostática é a presença de ar subdiafragmático (pneumoperitônio), confirmando a perfuração de víscera oca.
A úlcera péptica perfurada é uma emergência cirúrgica grave, caracterizada pela ruptura da parede gástrica ou duodenal, resultando na extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal. O uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) é um fator de risco bem estabelecido, pois esses medicamentos inibem a síntese de prostaglandinas, que são protetoras da mucosa gastroduodenal. O quadro clínico típico é de dor epigástrica súbita e intensa, em queimação, que se generaliza rapidamente, acompanhada de sinais de irritação peritoneal, como descompressão dolorosa e defesa abdominal. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a confirmação é feita por exames de imagem. A radiografia de abdome agudo, realizada em posição ortostática (em pé) ou em decúbito lateral esquerdo, é o exame inicial e mais importante para detectar pneumoperitônio, que é a presença de ar livre subdiafragmático. Este achado é patognomônico de perfuração de víscera oca. A tomografia computadorizada pode ser utilizada em casos duvidosos ou para identificar outras causas de abdome agudo. O tratamento da úlcera péptica perfurada é cirúrgico e emergencial. A intervenção mais comum é o fechamento primário da perfuração, muitas vezes com a utilização de um retalho de omento (patch de Graham), seguido de lavagem da cavidade abdominal. A gastrectomia com reconstrução em 'Y de Roux' é um procedimento muito mais extenso e não é a conduta inicial para uma úlcera perfurada simples, sendo reservada para úlceras complexas, refratárias ao tratamento clínico ou malignas. A úlcera duodenal perfura mais comumente na parede anterior, enquanto as úlceras posteriores tendem a causar hemorragia por erosão de vasos.
Os principais fatores de risco incluem o uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), infecção por Helicobacter pylori, tabagismo, consumo de álcool e estresse fisiológico severo. O uso de AINEs é uma causa comum de úlceras e suas complicações.
O achado radiológico mais característico é a presença de ar subdiafragmático (pneumoperitônio) na radiografia de abdome agudo em posição ortostática ou em decúbito lateral esquerdo. Este sinal indica a perfuração de uma víscera oca, permitindo a saída de ar para a cavidade peritoneal.
A conduta cirúrgica inicial para uma úlcera péptica perfurada é geralmente o fechamento simples da perfuração, frequentemente com um patch de omento (patch de Graham), e lavagem da cavidade abdominal. Gastrectomias são reservadas para casos mais complexos ou úlceras refratárias.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo