UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Paciente de 33 anos, tabagista, em uso de cetorolaco para espondilite anquilosante, chega à emergência com dor abdominal de início súbito pela manhã, associada à náusea. Ao exame, apresenta defesa e descompressão dolorosa. Rotina de abdômen agudo demonstra pneumoperitôneo, sendo indicada laparotomia exploradora. Durante inventário, é identificada úlcera perfurada na face anterior do duodeno, de aproximadamente 2,5cm com bordas friáveis e fibrina. Frente a esse achado, o cirurgião deve realizar:
Úlcera duodenal perfurada → Graham patch (omentoplastia) é a conduta de escolha.
Em úlceras duodenais perfuradas, especialmente com bordas friáveis, a técnica de Graham (tampão de omento) é preferida sobre a sutura simples para evitar estenose e garantir vedação.
A perfuração de úlcera péptica é uma emergência cirúrgica clássica, frequentemente associada ao uso de AINEs (como o cetorolaco) e tabagismo. O sinal de Jobert (perda da macicez hepática) e o pneumoperitônio na rotina de abdome agudo confirmam o diagnóstico. A técnica de Graham consiste na interposição de uma alça de omento sobre a perfuração, fixada com pontos seromusculares, sendo segura mesmo em úlceras maiores ou com inflamação intensa.
O Graham patch, ou omentoplastia, é uma técnica cirúrgica utilizada no tratamento de úlceras pépticas perfuradas. Consiste na utilização de um segmento de omento (geralmente pediculado) para recobrir a perfuração, funcionando como um tampão biológico. É a técnica de escolha quando as bordas da úlcera são friáveis ou quando a sutura primária (ulcerorrafia) poderia causar estenose da luz duodenal.
Atualmente, a cirurgia definitiva (como vagotomia e antrectomia) é raramente realizada no cenário de urgência devido à eficácia do tratamento clínico com inibidores de bomba de prótons e erradicação do H. pylori. A prioridade na emergência é o controle da contaminação peritoneal e o fechamento da perfuração. A cirurgia definitiva só é considerada em pacientes estáveis, com úlceras crônicas refratárias e baixo risco cirúrgico.
A sutura simples (ulcerorrafia) em uma úlcera duodenal pode ser tecnicamente difícil devido à inflamação e friabilidade dos tecidos circundantes, o que predispõe à deiscência dos pontos. Além disso, a aproximação das bordas em um órgão de lúmen estreito como o duodeno pode resultar em estenose cicatricial, levando à obstrução do esvaziamento gástrico.
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