UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2023
Paciente masculino, 55 anos de idade, é admitido no pronto-socorro devido a quadro de dor abdominal súbita em região de mesogástrio, há 6 horas, associado a náuseas e vômitos esverdeados. Tem antecedentes de tabagismo e uso recente de anti-inflamatórios para tratamento de dor lombar. Ao exame físico, encontra-se descorado, desidratado, taquicárdico e normotenso. Ao exame abdominal, apresenta dor à palpação superficial e profunda, porém sem sinais de peritonite. Exames laboratoriais: Leucócitos: 16.000/uL; Bilirrubinas totais: 1,1 mg/dL; Amilase 393 U/L; Creatinina 1,5 mg/dL; Proteína C reativa: 150 mg/L.Considerando a principal hipótese etiológica para o caso, assinale a alternativa correta.
Úlcera péptica perfurada → dor súbita, fatores de risco (AINEs, tabagismo) + ATB amplo espectro rotineiro.
A úlcera péptica perfurada é uma causa grave de abdome agudo, frequentemente associada ao uso de AINEs e tabagismo. A dor súbita e os sinais de resposta inflamatória sistêmica são marcantes. A antibioticoterapia de amplo espectro é rotineiramente indicada devido ao risco de peritonite bacteriana e sepse.
A úlcera péptica perfurada é uma emergência cirúrgica que se manifesta como abdome agudo, caracterizada por dor súbita e intensa, frequentemente em região epigástrica ou mesogástrica. A epidemiologia mostra uma associação clara com fatores como o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e a infecção por Helicobacter pylori, além do tabagismo. É crucial para o residente reconhecer rapidamente este quadro devido ao alto risco de sepse e mortalidade se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a erosão da parede gástrica ou duodenal, levando à perfuração e extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal. Isso causa uma peritonite inicial química, seguida por uma peritonite bacteriana. O diagnóstico é suspeitado pela clínica (dor súbita, fatores de risco) e confirmado por exames de imagem, como a tomografia computadorizada, que é mais sensível que a radiografia simples para detectar pneumoperitônio. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios. O tratamento da úlcera péptica perfurada é primariamente cirúrgico, visando o fechamento da perfuração. Além disso, a antibioticoterapia de amplo espectro é um pilar do manejo pré e pós-operatório para cobrir a flora entérica e prevenir complicações infecciosas como a peritonite e a sepse. A ressuscitação volêmica e o suporte hemodinâmico são igualmente importantes no manejo inicial desses pacientes, que frequentemente apresentam sinais de desidratação e taquicardia.
Os principais fatores de risco incluem o uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), infecção por Helicobacter pylori, tabagismo, consumo de álcool e estresse fisiológico grave. O paciente da questão apresenta uso de AINEs e tabagismo.
A perfuração de uma úlcera péptica leva ao extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal, resultando em peritonite química e, subsequentemente, bacteriana. A antibioticoterapia de amplo espectro visa cobrir a flora entérica e prevenir ou tratar a sepse.
Não, a radiografia simples de abdome pode não detectar pneumoperitônio em até 30% dos casos de perfuração. A tomografia computadorizada de abdome é mais sensível para identificar pequenas quantidades de ar livre e outros sinais de perfuração.
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