Úlcera Péptica Perfurada: Diagnóstico e Epidemiologia

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Mulher, com 35 anos de idade, procura atendimento médico por apresentar quadro de dor de início súbito, com localização inicial na região epigástrica, inicialmente acompanhada de vômitos, com rápida expansão para o flanco e a fossa ilíaca direita e, posteriormente, para todo o abdome. A paciente apresenta extremidades frias e respiração superficial; busca manter-se imóvel e adota posição antálgica, com pernas fletidas sobre o tronco. O abdome é difusamente doloroso, sendo evidentes a contratura abdominal e a rigidez da musculatura abdominal à palpação e à respiração. A radiografia de tórax e a radiografia simples de abdome, ambas realizadas em ortostatismo, mostram pneumoperitôneo. Com relação à complicação apresentada pela paciente, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Figura entre as causas mais frequentes de abdome agudo não traumático e metade dos casos ocorre em pacientes com idade entre 20 e 40 anos.
  2. B) Nas úlceras duodenais as perfurações ocorrem, de um modo geral, na parede posterior e na curvatura do duodeno.
  3. C) Nas úlceras gástricas as perfurações ocorrem, usualmente, na parede posterior do antro e da região pré-pilórica.
  4. D) A área mais acometida por perfurações de úlceras pépticas é o estômago, na proporção de 14:1 em relação ao duodeno.
  5. E) A mortalidade é proporcionalmente maior nas perfurações duodenais, em torno de 20%, talvez porque acometam pacientes mais idosos.

Pérola Clínica

Dor súbita + abdome em tábua + pneumoperitôneo = Úlcera Perfurada.

Resumo-Chave

A perfuração é uma complicação grave da úlcera péptica, ocorrendo frequentemente em adultos jovens (20-40 anos) e manifestando-se como abdome agudo súbito.

Contexto Educacional

A úlcera péptica perfurada representa uma das principais causas de abdome agudo não traumático. Epidemiologicamente, embora a incidência global de úlcera tenha caído com o tratamento do H. pylori e uso de IBP, a perfuração continua sendo uma emergência cirúrgica relevante, afetando significativamente a faixa etária de 20 a 40 anos. A fisiopatologia envolve a erosão completa da parede gástrica ou duodenal, permitindo a saída de ar e conteúdo digestivo para a cavidade peritoneal. O tratamento é essencialmente cirúrgico (ulcerorrafia com proteção de omento - manobra de Graham), associado à terapia medicamentosa para erradicação de H. pylori e bloqueio ácido.

Perguntas Frequentes

Qual o quadro clínico clássico da úlcera perfurada?

O quadro inicia-se com dor epigástrica súbita e intensa ('em facada'), que rapidamente se torna difusa devido à peritonite química inicial (pelo conteúdo gástrico/duodenal) que evolui para peritonite bacteriana. Ao exame físico, observa-se o 'abdome em tábua' (rigidez involuntária), sinal de Jobert (perda da macicez hepática por ar livre) e posição antálgica imóvel, pois qualquer movimento exacerba a dor.

Onde ocorrem mais frequentemente as perfurações?

As perfurações de úlceras duodenais são muito mais comuns que as gástricas e ocorrem predominantemente na parede anterior do bulbo duodenal. As úlceras da parede posterior do duodeno tendem a não perfurar livremente para a cavidade peritoneal, mas sim a penetrar em órgãos adjacentes, como o pâncreas, ou causar hemorragia por erosão da artéria gastroduodenal.

Como é feito o diagnóstico radiológico?

O diagnóstico é sugerido pela clínica e confirmado pela presença de pneumoperitôneo em exames de imagem. A rotina de abdome agudo inclui radiografia de tórax em ortostatismo (mais sensível para ver ar subdiafragmático) e radiografia de abdome em decúbito e ortostatismo. Se a dúvida persistir, a tomografia computadorizada é o padrão-ouro, detectando volumes mínimos de ar extraluminal.

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