Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem, 32 anos de idade, procura o pronto-socorro com queixa de dor aguda e súbita em região do abdo- me superior há 1 hora. Nega comorbidades ou quadros semelhantes anteriores. É atleta profissional e refere estar tratando de torção de tornozelo há 8 dias com uso de anti- -inflamatório via oral. Está hemodinamicamente normal, afebril e o exame abdominal mostra abdome tenso, dolo- roso difusamente e com descompressão brusca positiva. A radiografia de tórax/abdome é mostrada a seguir. Qual a hipótese diagnóstica mais provável e tratamento adequado, respectivamente?
Dor abdominal súbita + abdome em tábua + pneumoperitônio (radiografia) + uso AINEs → Úlcera péptica perfurada = cirurgia.
A dor abdominal aguda e súbita, associada a um abdome tenso, doloroso difusamente com descompressão brusca positiva (sinais de peritonite) e histórico de uso de AINEs, é altamente sugestiva de úlcera péptica perfurada. A radiografia de tórax/abdome mostrando pneumoperitônio (ar subdiafragmático) confirma o diagnóstico, indicando tratamento cirúrgico imediato.
A úlcera péptica perfurada é uma emergência cirúrgica abdominal grave, caracterizada pela ruptura da parede do estômago ou duodeno, resultando no extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal e consequente peritonite. A etiologia mais comum envolve a infecção por Helicobacter pylori e o uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como no caso apresentado. O quadro clínico é tipicamente de dor abdominal aguda e súbita, de forte intensidade, que rapidamente se generaliza. Ao exame físico, o abdome se apresenta tenso, rígido ("em tábua"), com dor difusa e descompressão brusca positiva, indicando irritação peritoneal. O diagnóstico é frequentemente confirmado pela radiografia de tórax ou abdome, que pode revelar pneumoperitônio (ar livre subdiafragmático), um sinal patognomônico de perfuração de víscera oca. O tratamento é cirúrgico e emergencial, visando o fechamento da perfuração e a limpeza da cavidade peritoneal. A sutura simples da úlcera com omento (patch de Graham) é a técnica mais comum. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo a demora no tratamento associada a maior morbidade e mortalidade.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, difusa, com irradiação para o ombro (sinal de Kehr), abdome em tábua e descompressão brusca positiva, indicando peritonite.
O achado mais importante é o pneumoperitônio, caracterizado pela presença de ar livre subdiafragmático na radiografia de tórax em posição ortostática ou na radiografia de abdome em decúbito lateral esquerdo.
Os AINEs inibem a ciclo-oxigenase (COX), reduzindo a produção de prostaglandinas que são protetoras da mucosa gástrica e duodenal, levando a um aumento do risco de úlceras e suas complicações, como sangramento e perfuração.
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