IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020
Paciente do sexo masculino, 72 anos, com história recente de uso abusivo de anti-inflamatórios orais por lombociatalgia, dá entrada no pronto-socorro com história de epigastralgia de início súbito há 4 horas. Ao exame físico, paciente encontra-se sudoreico, pálido, taquicárdico e agitado. Abdômen tenso e difusamente doloroso à palpação, inclusive à descompressão brusca. Realizou radiografia (ver imagem). Levando em consideração a história supracitada, analise os itens que se seguem.I. Trata-se de um quadro de úlcera péptica perfurada, estando indicada a abordagem cirúrgica para o caso.II. Ao exame físico do abdômen, uma grande parcela de pacientes com essa condição apresentará o sinal de Jobert. III. Trata-se de um caso de pancreatite necro-hemorrágica relacionado ao uso de AINEs, com o sinal da alça sentinela ao RX simples de abdômen (patognomônico). Pode-se afirmar que apenas:
Úlcera péptica perfurada: dor epigástrica súbita, peritonismo, pneumoperitônio ao RX (ar subdiafragmático) → cirurgia de emergência.
A úlcera péptica perfurada é uma emergência cirúrgica caracterizada por dor abdominal súbita e intensa, peritonismo difuso e, classicamente, pneumoperitônio visível em radiografias. O uso de AINEs é um fator de risco importante. O diagnóstico precoce e a intervenção cirúrgica são cruciais para evitar complicações graves como sepse e óbito.
A úlcera péptica perfurada é uma das complicações mais graves da doença ulcerosa péptica, representando uma emergência cirúrgica com alta morbimortalidade. Sua etiologia está frequentemente associada ao uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e à infecção por Helicobacter pylori. A incidência tem se mantido estável, apesar da diminuição da doença ulcerosa não complicada, devido ao uso crescente de AINEs em populações mais idosas. O quadro clínico é dramático, caracterizado por dor abdominal súbita e intensa, geralmente em epigástrio, que se irradia e se torna difusa rapidamente, levando a um quadro de peritonite generalizada. Ao exame físico, o abdômen encontra-se tenso, com defesa e descompressão brusca positiva (sinal de Blumberg). O sinal de Jobert (desaparecimento da macicez hepática à percussão devido ao ar livre no abdômen) pode estar presente. O diagnóstico é confirmado pela radiografia simples de abdômen, que revela pneumoperitônio (ar subdiafragmático) em cerca de 70-80% dos casos. A conduta é invariavelmente cirúrgica e de emergência, visando o fechamento da perfuração e a limpeza da cavidade abdominal. O atraso no diagnóstico e na intervenção aumenta significativamente o risco de sepse e óbito. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de abdome agudo, como pancreatite aguda, mas a presença de pneumoperitônio é um achado chave que direciona para a perfuração de víscera oca.
Os sinais e sintomas clássicos incluem dor epigástrica de início súbito e intensa, que rapidamente se generaliza para todo o abdômen, acompanhada de peritonismo (abdômen em tábua, dor à descompressão brusca). O paciente pode apresentar sudorese, palidez, taquicardia e agitação devido à dor e ao choque.
O pneumoperitônio, a presença de ar livre na cavidade abdominal, é o sinal radiológico mais importante de perfuração de víscera oca. É diagnosticado por radiografia simples de abdômen (em pé ou decúbito lateral esquerdo), mostrando ar subdiafragmático. Sua presença confirma a perfuração e indica a necessidade de cirurgia de emergência.
A conduta para úlcera péptica perfurada é a abordagem cirúrgica de emergência. Isso geralmente envolve a laparotomia exploradora para identificar e fechar a perfuração, além de realizar a limpeza da cavidade abdominal. O suporte clínico pré-operatório com fluidos, analgésicos e antibióticos é crucial.
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