Úlcera Péptica Perfurada: Quando o Tratamento é Conservador?

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

AWN, 51 anos, sexo masculino, seringueiro, encontrava-se em trabalho de campo em zona remota quando foi acometido de dor abdominal súbita, intensa em região epigástrica. Fez uso de analgésicos parenteral em posto médico avançado da região por 72 horas com melhora relativa, até ser transferido para centro de referência. Encontrava-se em melhores condições, com abdome doloroso, mas sem irritação peritoneal. Peristaltismo fisiológico. A radiografia de abdome e tórax evidenciou pneumoperitônio discreto. Em relação a esta situação assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A serigrafia gástrica com contraste iodado está contraindicada.
  2. B) Em caso de cirurgia deve-se evitar o acesso laparoscópico.
  3. C) O tratamento pode ser conservador.
  4. D) Tem indicação de tomografia computadorizada do abdome para confirmação do pneumoperitônio.

Pérola Clínica

Estabilidade clínica + melhora espontânea em úlcera perfurada → considerar tratamento conservador (Taylor).

Resumo-Chave

O tratamento conservador (Método de Taylor) é uma opção segura em pacientes com úlcera perfurada bloqueada, estabilidade hemodinâmica e ausência de peritonite generalizada.

Contexto Educacional

A úlcera péptica perfurada é uma emergência cirúrgica clássica, mas a evolução do conhecimento permitiu identificar um subgrupo de pacientes que se beneficia do manejo não operatório. O caso clínico descreve um paciente com 72 horas de evolução, já em fase de melhora clínica e sem irritação peritoneal, o que sugere um bloqueio efetivo da perfuração (geralmente pelo omento). A fisiopatologia envolve inicialmente uma peritonite química que, se bloqueada, pode não evoluir para peritonite bacteriana franca. O reconhecimento dessa possibilidade evita cirurgias desnecessárias em pacientes selecionados, embora a vigilância deva ser absoluta.

Perguntas Frequentes

O que é o Método de Taylor na úlcera perfurada?

O Método de Taylor consiste no tratamento não operatório da úlcera péptica perfurada. Ele se baseia na premissa de que muitas perfurações pequenas podem se fechar espontaneamente por meio do bloqueio pelo omento ou órgãos adjacentes. O protocolo envolve jejum absoluto, aspiração gástrica contínua por sonda nasogástrica, antibioticoterapia de amplo espectro, inibidores de bomba de prótons e monitoramento clínico rigoroso. É indicado apenas para pacientes hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite generalizada e, idealmente, com diagnóstico tardio (mais de 24h) onde já houve melhora clínica.

Quais as contraindicações para o tratamento conservador?

As principais contraindicações incluem instabilidade hemodinâmica (choque), sinais de peritonite generalizada (abdome em tábua), pneumoperitônio volumoso sugerindo perfuração larga, idade avançada com múltiplas comorbidades que mascaram o exame físico, ou falha na melhora clínica nas primeiras 12-24 horas de observação. Pacientes que ingeriram refeição farta recentemente também são maus candidatos devido ao alto risco de contaminação peritoneal persistente.

Como monitorar o paciente em tratamento conservador?

O monitoramento deve ser intensivo, com reavaliações físicas seriadas pelo mesmo examinador, controle de sinais vitais e exames laboratoriais (leucograma e PCR). A persistência ou piora da dor abdominal, o surgimento de febre ou taquicardia são sinais de alerta que devem interromper o tratamento conservador e indicar a exploração cirúrgica imediata. Exames de imagem, como a serigrafia com contraste hidrossolúvel, podem ser usados para confirmar se a perfuração está efetivamente bloqueada.

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