PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Um paciente de 60 anos apresenta-se na sala de emergência com dor abdominal epigástrica súbita e intensa há 6 horas, associado a náuseas, porém sem vômitos, que se irradia para o ombro. Relata tratamento atual com AINE para quadro de exacerbação de gota. Ele está pálido e sudoreico. Ao exame físico, revela rigidez abdominal difusa, ausência de ruídos adventícios. Dados vitais: PA 70/40mmHg, FC 120bpm, FR 28irpm, Temp axilar 35 graus Celsius. Diante do quadro descrito, qual a hipótese diagnóstica e a conduta na sala de emergência?
Dor epigástrica súbita + AINE + abdome em tábua + choque → Úlcera péptica perfurada = Cirurgia de emergência.
A úlcera péptica perfurada é uma emergência cirúrgica caracterizada por dor abdominal súbita e intensa, frequentemente associada ao uso de AINEs. A irritação peritoneal leva a rigidez abdominal difusa ("abdome em tábua") e pode evoluir rapidamente para choque séptico ou hipovolêmico.
A úlcera péptica perfurada representa uma das formas mais graves de complicação da doença ulcerosa péptica, sendo uma emergência cirúrgica com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. Sua incidência está fortemente associada ao uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e à infecção por Helicobacter pylori. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é crucial para o desfecho do paciente. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na tríade clássica de dor abdominal súbita e intensa, abdome em tábua e sinais de choque. A dor epigástrica que irradia para o ombro (sinal de Kehr, devido à irritação diafragmática) é um achado importante. Exames complementares como radiografia de tórax e abdome podem revelar pneumoperitônio (ar subdiafragmático), confirmando a perfuração, embora sua ausência não a exclua. A tomografia computadorizada é mais sensível. A conduta na sala de emergência deve ser agressiva e imediata, visando à estabilização hemodinâmica do paciente com fluidoterapia vigorosa, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e administração de IBP endovenoso. Contudo, o tratamento definitivo é cirúrgico, com laparotomia exploradora para fechamento da perfuração e limpeza da cavidade peritoneal, a fim de evitar a progressão para peritonite generalizada e sepse.
Uma úlcera péptica perfurada manifesta-se com dor abdominal súbita e intensa, geralmente epigástrica, que pode irradiar para o ombro. É comum a presença de náuseas, palidez, sudorese e, ao exame físico, rigidez abdominal difusa (abdome em tábua) e ausência de ruídos hidroaéreos.
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica com hidratação venosa agressiva, uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) endovenosos e, crucialmente, indicação de cirurgia abdominal de emergência para correção da perfuração e lavagem da cavidade.
Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) inibem a síntese de prostaglandinas, que são protetoras da mucosa gástrica e duodenal. Essa inibição compromete a barreira mucosa, tornando-a mais suscetível à formação de úlceras e, consequentemente, ao risco de perfuração.
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