UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do parágrafo abaixo.Paciente masculino, de 65 anos, procurou atendimento médico por dor epigástrica em queimação, com intensidade moderada, irradiada para o dorso, com alívio após as refeições. Apresentou episódios de despertar noturno pela dor. Referiu uso frequente de ibuprofeno e nimesulida por osteoartrose de quadril. Negou a ocorrência de pirose, disfagia, emagrecimento, hematêmese ou melena. Exames recentes não indicaram anemia. O quadro clínico é sugestivo de .........., estando indicada avaliação diagnóstica com .......... . Confirmada a presença de .........., deve-se .......... .
Dor epigástrica noturna + alívio pós-prandial + uso AINE → Úlcera péptica.
A dor epigástrica com alívio pós-prandial e despertar noturno, especialmente em usuários de AINEs, é altamente sugestiva de úlcera péptica. A endoscopia digestiva alta é o padrão-ouro para diagnóstico e pesquisa de H. pylori. O tratamento envolve a suspensão do AINE e o uso de IBP.
A úlcera péptica é uma lesão da mucosa gastrointestinal que se estende até a muscular da mucosa, sendo uma condição comum com alta morbidade se não tratada. Sua etiologia principal inclui infecção por Helicobacter pylori e uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs). É fundamental para estudantes e residentes reconhecerem os padrões de dor e fatores de risco para um diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia da úlcera péptica envolve um desequilíbrio entre fatores protetores e agressores da mucosa gástrica e duodenal. No caso de úlceras induzidas por AINEs, a inibição da ciclooxigenase-1 (COX-1) leva à redução da produção de prostaglandinas protetoras. A suspeita clínica surge com dor epigástrica, muitas vezes em queimação, que pode ter relação com as refeições (alívio na úlcera duodenal, piora na gástrica) e despertar noturno. A endoscopia digestiva alta é o método diagnóstico padrão-ouro, permitindo visualização direta, biópsias e pesquisa de H. pylori. O tratamento da úlcera péptica depende da etiologia. Para úlceras induzidas por AINEs, a suspensão do medicamento é crucial, associada ao uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) por 4 a 8 semanas para cicatrização. Se houver infecção por H. pylori, a erradicação é mandatória. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas complicações como sangramento, perfuração e obstrução podem ocorrer, exigindo intervenção urgente.
A úlcera péptica classicamente causa dor epigástrica que melhora com a alimentação e piora à noite, enquanto a DRGE se manifesta com pirose e regurgitação, piorando com refeições e decúbito.
A EDA é crucial para visualizar a úlcera, determinar sua localização e tamanho, e realizar biópsias para descartar malignidade e pesquisar a presença de Helicobacter pylori.
Os AINEs inibem a ciclooxigenase (COX), reduzindo a produção de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica, levando à diminuição da secreção de muco e bicarbonato e ao aumento da secreção ácida.
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