SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Um paciente de 50 anos foi atendido em ambulatório médico com história de ter sido admitido em uma emergência com quadro de dois dias apresentando fezes escurecidas e odor forte associado a um episódio de vômito com sangue vivo. Estava hemodinamicamente estável, não precisou de transfusão de hemoderivados, realizou endoscopia alta de emergência recebendo alta hospitalar 48 horas após a admissão inicial. O laudo do exame continha a seguinte descrição: "presença de ulceração com 1,5 cm de diâmetro localizada na parede posterior do bulbo duodenal, fundo claro, sem vaso visível ou estigmas de sangramento. Não foi realizada biópsia". No momento da consulta, estava sem medicações, pois "havia perdido a receita". Qual das seguintes condutas abaixo é a mais indicada para esse paciente, nesse momento?
Úlcera duodenal sangrante (fundo claro) + sem tratamento → IBP + pesquisa/tratamento H. pylori.
O paciente teve uma hemorragia digestiva alta por úlcera duodenal. Mesmo com fundo claro e sem estigmas de sangramento ativo, a úlcera péptica é frequentemente associada à infecção por H. pylori. Como o paciente não está em uso de medicação, a conduta é iniciar IBP e investigar/tratar H. pylori para prevenir ressangramento e promover a cicatrização.
A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma emergência comum, sendo a úlcera péptica (gástrica ou duodenal) a causa mais frequente. Pacientes com melena e hematêmese devem ser avaliados rapidamente quanto à estabilidade hemodinâmica e submetidos à endoscopia digestiva alta para diagnóstico e tratamento. A úlcera duodenal, em particular, está fortemente associada à infecção por Helicobacter pylori e ao uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Mesmo após a estabilização do sangramento e a ausência de estigmas de sangramento ativo na endoscopia, o tratamento da causa subjacente é crucial para prevenir novos episódios. A conduta padrão inclui a terapia com inibidores de bomba de prótons (IBP) para supressão ácida e a investigação e erradicação de H. pylori, se presente. A biópsia de úlceras duodenais não é rotineira devido à baixa incidência de malignidade, diferentemente das úlceras gástricas, que sempre devem ser biopsiadas.
A infecção por H. pylori é a principal causa de úlceras duodenais. A erradicação da bactéria é fundamental para a cicatrização da úlcera, prevenção de recorrências e redução do risco de complicações como o sangramento.
Os IBPs reduzem a produção de ácido gástrico, criando um ambiente que favorece a cicatrização da úlcera e diminui o risco de ressangramento. São a base do tratamento farmacológico para úlceras pépticas.
Em úlceras duodenais, a biópsia não é rotineiramente indicada, pois a malignidade é rara. A endoscopia de controle pode ser considerada em casos de úlceras gástricas grandes ou com características atípicas, mas para úlceras duodenais, o foco é o tratamento clínico e erradicação de H. pylori.
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