Tratamento Inicial da Úlcera Gástrica e H. Pylori

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 45 anos de idade tem histórico de dispepsia crônica e dor epigástrica. Ao exame físico, constataram-se FC = 80 bpm, FR-18 irpm e SnO2 = 96%. A endoscopia digestiva alta revelou úlcera gástrica. Qual é o tratamento inicial mais indicado para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Iniciar antibiótico para Helicobacter pylori.
  2. B) Iniciar IBP (inibidor da bomba de prótons) e dietoterapia.
  3. C) Iniciar inibidor da bomba de prótons (IBP) e antibiótico para Helicobacter pylori.
  4. D) Realizar cirurgia.

Pérola Clínica

Úlcera gástrica confirmada → Pesquisa e erradicação de H. pylori + IBP para cicatrização.

Resumo-Chave

O tratamento inicial da úlcera gástrica foca na supressão ácida com IBP e na erradicação do H. pylori, fator etiológico principal na maioria dos casos, visando cicatrização e prevenção de recidivas.

Contexto Educacional

A úlcera péptica gástrica resulta de um desequilíbrio entre fatores agressivos (ácido, pepsina, H. pylori, AINEs) e fatores protetores da mucosa (muco, bicarbonato, fluxo sanguíneo). O diagnóstico é padrão-ouro pela EDA, que permite a visualização direta e a realização de biópsias. A abordagem terapêutica moderna prioriza a erradicação bacteriana e a supressão ácida profunda. Clinicamente, o paciente apresenta dor epigástrica que pode piorar com a alimentação (diferente da duodenal, que melhora). O manejo clínico adequado evita a necessidade de intervenções cirúrgicas, que hoje são reservadas para complicações como perfuração, obstrução pilórica intratável ou hemorragia refratária ao tratamento endoscópico.

Perguntas Frequentes

Por que erradicar o H. pylori na úlcera gástrica?

A erradicação do Helicobacter pylori é fundamental porque a bactéria é o principal fator de risco para o desenvolvimento e a recorrência de úlceras pépticas. O tratamento antibiótico reduz drasticamente as taxas de recidiva ulcerosa de 60-90% para menos de 10%. Além disso, a erradicação previne complicações graves, como hemorragia digestiva alta e perfuração, e reduz o risco de progressão para adenocarcinoma gástrico em pacientes com gastrite atrófica ou metaplasia intestinal associada. O esquema clássico envolve IBP associado a claritromicina e amoxicilina por 14 dias.

Qual o papel dos IBPs na fase inicial do tratamento?

Os Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs) são a pedra angular do tratamento sintomático e da cicatrização. Eles agem bloqueando a enzima H+/K+ ATPase nas células parietais, elevando o pH intragástrico. Isso cria um ambiente favorável para a regeneração da mucosa e formação do tecido de granulação. Na úlcera gástrica, o IBP deve ser mantido por 8 a 12 semanas, dependendo do tamanho da lesão, para garantir a cicatrização completa, enquanto na úlcera duodenal 4 semanas costumam ser suficientes.

É necessário repetir a endoscopia após o tratamento?

Sim, na úlcera gástrica a repetição da endoscopia digestiva alta (EDA) após 8 a 12 semanas de tratamento é obrigatória. O objetivo é confirmar a cicatrização completa e realizar novas biópsias se a lesão persistir, para descartar definitivamente o câncer gástrico precocemente ulcerado. Diferente da úlcera duodenal, que raramente é maligna, a úlcera gástrica tem um potencial de malignidade que exige vigilância rigorosa até o desaparecimento macroscópico da lesão.

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