Úlcera Neurotrófica: Características e Diagnóstico Diferencial

SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2021

Enunciado

No diagnóstico diferencial das úlceras de membros inferiores, é importante avaliar as características clínicas das mesmas. Como se caracteriza a úlcera neurotrófica?

Alternativas

  1. A) Ocorre nas regiões perimaleolar e medial. Apresenta-se como lesão única com bordos irregulares, base com granulação, pigmentação e pouco dolorosa
  2. B) Causa dor severa, ocorrendo em dedos, pé, calcâneo e terço distal da perna. A lesão na maioria das vezes é única com bordos irregulares com base pálida
  3. C) Localiza-se sob calos plantares e proeminências ósseas. Geralmente é única, indolor, indolente, profunda e pode ser infectada
  4. D) Surge no tornozelo e pé, sendo indolor ou pode causar dor leve. A lesão é única e recorrente. Pode ocorrer em áreas de pigmentação e está associada à anemia crônica
  5. E) Inicia-se com infartos, progride com lesões satélites com áreas purpúricas em perna distal. É extremamente dolorosa

Pérola Clínica

Úlcera neurotrófica = indolor, profunda, em proeminências ósseas/calos plantares, associada à neuropatia.

Resumo-Chave

A úlcera neurotrófica, comum no pé diabético, é caracterizada pela perda da sensibilidade protetora devido à neuropatia periférica. Isso leva à formação de calos e, posteriormente, úlceras indolores em áreas de pressão, como proeminências ósseas e plantas dos pés, com alto risco de infecção e profundidade.

Contexto Educacional

As úlceras de membros inferiores representam um desafio diagnóstico e terapêutico, sendo a úlcera neurotrófica uma das mais prevalentes, especialmente em pacientes com diabetes mellitus. Sua etiologia está intrinsecamente ligada à neuropatia periférica, que resulta na perda da sensibilidade protetora, atrofia muscular e alterações autonômicas, predispondo a traumas repetitivos e deformidades ósseas. A úlcera neurotrófica é classicamente caracterizada por ser indolor, o que é um sinal de alerta para a neuropatia subjacente. Ela se localiza tipicamente em áreas de maior pressão e atrito, como a planta do pé, sob calosidades ou proeminências ósseas (cabeças dos metatarsos, calcâneo). Geralmente é profunda, com bordas calosas e pode estar associada a infecção secundária, osteomielite e deformidades como o pé de Charcot. Para o residente, o diagnóstico diferencial das úlceras de membros inferiores é crucial. A úlcera neurotrófica deve ser diferenciada das úlceras venosas (dolorosas, perimaleolares mediais, com edema e hiperpigmentação) e arteriais (extremamente dolorosas, distais, com pele fria, pálida e pulsos diminuídos). O manejo envolve desbridamento, controle da infecção, alívio da pressão e, fundamentalmente, o controle da doença de base, como o diabetes, para prevenir recorrências e complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características de uma úlcera neurotrófica?

A úlcera neurotrófica é tipicamente indolor devido à neuropatia, profunda, com bordas calosas e localizada em áreas de pressão, como a planta do pé, sob calos ou proeminências ósseas.

Como a neuropatia periférica contribui para o desenvolvimento de úlceras neurotróficas?

A neuropatia causa perda da sensibilidade protetora, impedindo que o paciente perceba traumas ou pressões repetitivas. Isso leva à formação de calos e, eventualmente, à ruptura da pele e formação da úlcera.

Qual a importância da inspeção dos pés em pacientes com risco de úlcera neurotrófica?

A inspeção diária é crucial para identificar precocemente calos, fissuras ou pequenas lesões que podem progredir para úlceras. A detecção precoce e o manejo adequado são essenciais para prevenir complicações graves, como infecções e amputações.

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