Úlcera Neurotrófica Corneana: Diagnóstico e Manejo Clínico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006

Enunciado

Homem, 70 anos de idade, agricultor, apresenta história de úlcera de córnea de repetição em OD de provável etiologia herpética. Atualmente queixa-se de olho vermelho, lacrimejamento, sensação de corpo estranho e baixa visual no OD. Nega dor e refere estar em uso de aciclovir tópico por 21 dias sem sucesso. Ao exame apresenta defeito epitelial central corando com fluoresceína com bordas elevadas sem infiltrado estromal subjacente e medindo 2 x 3 mm de diâmetro bem como hipoestesia corneana. Qual o provável diagnóstico e conduta?

Alternativas

  1. A) Recidiva da infecção herpética — manter aciclovir tópico
  2. B) Úlcera fúngica — manter aciclovir e iniciar anfotericina tópica
  3. C) Úlcera neurotrófica — suspender aciclovir tópico e iniciar lubrificação
  4. D) Úlcera bacteriana — suspender aciclovir e iniciar antibiótico de amplo espectro

Pérola Clínica

Úlcera indolente + hipoestesia + bordas elevadas → Úlcera Neurotrófica (suspender tóxicos).

Resumo-Chave

A úlcera neurotrófica resulta da perda da inervação sensitiva (comum após herpes) e toxicidade por colírios. O tratamento foca em suspender agentes tóxicos e promover a cicatrização com lubrificantes.

Contexto Educacional

A úlcera neurotrófica representa um desafio terapêutico. A integridade do epitélio corneano depende de fatores tróficos liberados pelos nervos sensoriais. Quando há denervação, o epitélio torna-se frágil e para de cicatrizar. O uso prolongado de aciclovir tópico (mais de 14 dias) é altamente tóxico ao epitélio, criando um ciclo vicioso onde o médico acredita ser uma persistência da infecção, mas na verdade é uma iatrogenia medicamentosa sobre uma córnea já debilitada.

Perguntas Frequentes

O que causa a úlcera neurotrófica?

É causada pela falha na cicatrização epitelial devido à perda da inervação corneana (nervo trigêmeo). Causas comuns incluem infecção prévia por Herpes Simplex ou Zoster, diabetes e cirurgias oculares, agravadas por toxicidade de conservantes em colírios.

Como diferenciar úlcera herpética ativa de neurotrófica?

A úlcera herpética ativa (dendrítica) tem bordas com bulbos terminais e células infectadas. A neurotrófica é um defeito epitelial ovalado, com bordas elevadas e acinzentadas (epitélio 'enrolado'), sem infiltrado ativo, em uma córnea hipoestésica.

Qual o tratamento da ceratopatia neurotrófica?

O tratamento inicial envolve a suspensão de todos os colírios tóxicos (especialmente antivirais e conservantes), uso intensivo de lubrificantes sem conservantes, oclusão ou lentes de contato terapêuticas. Casos graves podem exigir tarsorrafia ou soro autólogo.

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