CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
Com relação à úlcera de Mooren, é correto afirmar:
Úlcera de Mooren em idosos → Geralmente unilateral, progressão lenta e melhor prognóstico.
A úlcera de Mooren é uma ceratite ulcerativa periférica idiopática, dolorosa e destrutiva, sem associação com doenças sistêmicas, diferenciando-se das PUKs reumatológicas.
A úlcera de Mooren é um diagnóstico de exclusão dentro do espectro das ceratites ulcerativas periféricas (PUK). Enquanto a maioria das PUKs está ligada a doenças do colágeno (como Artrite Reumatóide ou Granulomatose com Poliangiite), a Mooren ocorre na ausência de qualquer marcador sistêmico. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune contra antígenos do estroma corneano, possivelmente desencadeada por trauma, cirurgia ou infecções prévias (como hepatite C). O prognóstico varia drasticamente com a idade do paciente. A forma senil (benigna) é muito mais manejável do que a forma juvenil (maligna). Para o especialista, o reconhecimento da borda escavada e a ausência de inflamação escleral são pistas fundamentais. O tratamento cirúrgico com recobrimento conjuntival ou peritomia limbar visa interromper o ciclo de destruição tecidual mediado por metaloproteinases e linfócitos infiltrantes na região do limbo.
A Úlcera de Mooren é classicamente dividida em duas formas clínicas principais. A primeira forma acomete pacientes idosos, sendo geralmente unilateral, com progressão lenta e respondendo bem ao tratamento clínico ou cirúrgico (melhor prognóstico). A segunda forma é mais agressiva, acomete pacientes jovens (frequentemente de ascendência africana ou indiana), tende a ser bilateral, apresenta progressão rápida e é altamente resistente ao tratamento convencional, podendo levar à perfuração corneana em pouco tempo. É uma condição idiopática, o que significa que não há evidência de doença sistêmica autoimune associada, embora o mecanismo local seja imunomediado.
Clinicamente, a úlcera de Mooren apresenta-se como uma ulceração periférica da córnea que começa no limbo e progride circunferencialmente e, posteriormente, centralmente. Uma característica marcante é a presença de uma borda de ataque 'escavada' (overhanging edge) com infiltração estromal. O paciente queixa-se de dor ocular intensa, fotofobia, lacrimejamento e embaçamento visual. Diferente de outras ceratites periféricas, não há esclerite associada. A destruição estromal pode levar ao afinamento extremo da córnea, deixando apenas uma fina camada de tecido (descemetocele) ou resultando em perfuração.
O tratamento é desafiador e envolve uma abordagem escalonada. Inicialmente, utilizam-se corticoides tópicos potentes e lubrificantes. Em casos refratários, a ressecção da conjuntiva limbar adjacente (peritomia) pode ser eficaz ao remover a fonte de anticorpos e enzimas colagenases que alimentam a úlcera. Imunossupressores sistêmicos (como Ciclosporina, Azatioprina ou Ciclofosfamida) são frequentemente necessários, especialmente na forma bilateral agressiva. A Dapsona pode ser usada em casos específicos, mas exige triagem para deficiência de G6PD. Em situações de afinamento extremo ou perfuração, procedimentos cirúrgicos como recobrimento conjuntival, colagem com cianoacrilato ou transplante de córnea (lamelar ou penetrante) são indicados.
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