Úlcera de Mooren: Diagnóstico e Associações Epidemiológicas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020

Enunciado

Com relação à úlcera de Mooren, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Quadros unilaterais ocorrem caracteristicamente em pacientes mais jovens.
  2. B) Há incidência maior de pacientes acometidos em áreas endêmicas para infecções parasitárias por helmintos.
  3. C) Poliangeíte granulomatosa é a causa mais comum.
  4. D) Diferentemente de outras formas de ceratite ulcerativa periférica, em pacientes negros, costuma desencadear pouca inflamação e quadros menos dolorosos.

Pérola Clínica

Úlcera de Mooren → Ceratite periférica idiopática, dolorosa, associada a helmintíases em áreas endêmicas.

Resumo-Chave

A úlcera de Mooren é uma forma rara de ceratite ulcerativa periférica (CUP) idiopática e destrutiva. Diferencia-se de outras CUPs pela ausência de doença sistêmica autoimune e pela forte correlação epidemiológica com infestações por helmintos em certas regiões.

Contexto Educacional

A Úlcera de Mooren é classificada em dois tipos principais: o tipo 1, geralmente unilateral, benigno e que responde bem ao tratamento, ocorrendo em pacientes mais velhos; e o tipo 2, bilateral, progressivo e resistente ao tratamento, comum em pacientes jovens, especialmente de ascendência africana ou indiana. A fisiopatologia envolve uma destruição estromal mediada por metaloproteinases e mecanismos de imunidade celular e humoral. O manejo clínico é desafiador, envolvendo corticosteroides tópicos, imunossupressores sistêmicos e, em casos graves, procedimentos cirúrgicos como a peritomia conjuntival para remover a fonte de anticorpos e enzimas colagenolíticas que alimentam a úlcera.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Úlcera de Mooren?

A Úlcera de Mooren é uma ceratite ulcerativa periférica idiopática, crônica e dolorosa que começa na periferia da córnea e progride circunferencialmente e centralmente. Ela se caracteriza por uma borda de progressão escavada e pela ausência de esclerite associada ou doença sistêmica autoimune subjacente, o que a diferencia de outras ceratites ulcerativas periféricas.

Qual a relação entre a Úlcera de Mooren e infecções parasitárias?

Estudos epidemiológicos demonstram uma maior incidência da Úlcera de Mooren em áreas endêmicas para infecções por helmintos. Acredita-se que a exposição a antígenos parasitários possa desencadear uma reação de hipersensibilidade ou mimetismo molecular, levando a uma resposta autoimune contra o estroma corneano em indivíduos geneticamente predispostos.

Como diferenciar a Úlcera de Mooren de uma CUP por Artrite Reumatóide?

A diferenciação é clínica e laboratorial. A Úlcera de Mooren é estritamente idiopática e não apresenta envolvimento sistêmico. Já a ceratite ulcerativa periférica (CUP) associada à Artrite Reumatóide ou outras vasculites (como a Granulomatose com Poliangeíte) geralmente apresenta esclerite associada e marcadores inflamatórios ou anticorpos (como FR ou ANCA) positivos.

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