CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006
Com relação à úlcera de Mooren, assinale a alternativa correta:
Úlcera de Mooren em jovens → Bilateral, progressiva e com pior prognóstico terapêutico.
A Úlcera de Mooren é uma ceratite ulcerativa periférica idiopática, caracterizada por dor intensa e ausência de esclerite associada, diferenciando-se de causas sistêmicas.
A Úlcera de Mooren representa um desafio na oftalmologia devido à sua natureza agressiva e etiologia incerta. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune contra antígenos do estroma corneano. A característica clínica marcante é uma úlcera periférica com bordas 'escavadas' (overhanging edge) que progride circunferencialmente e centralmente. É crucial que o residente realize um 'work-up' sistêmico completo para excluir doenças vasculares do colágeno antes de selar o diagnóstico como Mooren. O manejo exige vigilância estreita devido ao alto risco de afinamento extremo e perfuração ocular.
Existem dois tipos clínicos: o Tipo 1 (mais comum em idosos, geralmente unilateral, mais benigno e responde melhor ao tratamento) e o Tipo 2 (mais comum em jovens, frequentemente bilateral, progressivo, extremamente doloroso e com má resposta terapêutica, podendo levar à perfuração).
A Úlcera de Mooren é um diagnóstico de exclusão. Diferente da ceratite associada à Artrite Reumatoide ou Granulomatose de Wegener, a Mooren não apresenta esclerite associada e não possui uma doença sistêmica subjacente identificável. A dor é frequentemente desproporcional ao achado clínico inicial.
O tratamento é desafiador e envolve corticosteroides tópicos e sistêmicos, imunossupressores (como ciclosporina ou ciclofosfamida) e, em casos graves, procedimentos cirúrgicos como a peritomia conjuntival (recessão conjuntival) para remover mediadores inflamatórios limbares.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo