Úlceras Corneanas Periféricas: Diagnóstico e Conduta

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006

Enunciado

Com relação às úlceras corneanas periféricas, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Lúpus eritematoso sistêmico é a doença do colágeno mais frequentemente associada às úlceras corneanas periféricas de etiologia reumática
  2. B) Degeneração marginal de Terrien afeta preferencialmente mulheres acima dos 40 anos de idade. É uma enfermidade unilateral, com afinamento progressivo que geralmente leva à perfuração espontânea da córnea
  3. C) Na úlcera de Mooren, a ressecção da conjuntiva afastando-a do limbo próxima ao afinamento pode estar indicada nos casos resistentes à terapia sistêmica
  4. D) Dellen deve ser tratado preferencialmente com colírios de esteroides e antibióticos tópicos

Pérola Clínica

Mooren resistente → Ressecção da conjuntiva perilímbica adjacente.

Resumo-Chave

A úlcera de Mooren é uma ceratite periférica idiopática onde a remoção da conjuntiva adjacente reduz o aporte de enzimas e anticorpos que destroem o estroma.

Contexto Educacional

As úlceras corneanas periféricas representam um desafio diagnóstico. A Ceratite Ulcerativa Periférica (CUP) está frequentemente associada a doenças sistêmicas letais, como a Granulomatose de Wegener e a Artrite Reumatóide, exigindo investigação sistêmica imediata. Já a Úlcera de Mooren é estritamente ocular. O tratamento envolve imunossupressão sistêmica e tópica. A técnica cirúrgica de ressecção conjuntival mencionada na alternativa correta é uma estratégia para remover a fonte de autoanticorpos e enzimas proteolíticas. É fundamental distinguir essas condições do Dellen, que é um afinamento por dessecação local, tratado apenas com lubrificação e oclusão.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Úlcera de Mooren?

A Úlcera de Mooren é uma ceratite ulcerativa periférica idiopática, grave e dolorosa, que progride circunferencialmente e centralmente. Caracteriza-se por uma borda de progressão 'escavada' (overhanging edge). Não está associada a doenças sistêmicas, sendo um diagnóstico de exclusão após afastar vasculites e colagenoses.

Por que realizar ressecção conjuntival na Úlcera de Mooren?

A ressecção da conjuntiva límbica (peritomia) é indicada em casos resistentes ao tratamento clínico. A teoria é que a conjuntiva adjacente fornece os mediadores inflamatórios, anticorpos e colagenases responsáveis pela destruição estromal. Ao afastá-la, interrompe-se o ciclo de degradação tecidual na periferia da córnea.

Como diferenciar Terrien de Mooren?

A Degeneração de Terrien é tipicamente indolor, não apresenta defeito epitelial inicial e ocorre afinamento estromal superior com vascularização superficial e linha lipídica. A Úlcera de Mooren é extremamente dolorosa, apresenta inflamação ativa e perda de substância tecidual progressiva.

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