Úlcera de Marjolin: Malignização de Cicatrizes Crônicas

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

Com relação a úlcera de Marjolin, marque a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) São úlceras pépticas, gástricas, relacionadas a pacientes vítimas de queimaduras extensas.
  2. B) São úlceras pépticas, localizadas no bulbo duodenal, relacionadas a quadro de hemorragia digestiva alta.
  3. C) Origina-se de tumores carcinomatosos que acometem as cicatrizes de queimaduras
  4. D) Origina-se de neoplasias benignas que acometem as cicatrizes de queimaduras
  5. E) Ocorre nos membros inferiores de pacientes hipertensos.

Pérola Clínica

Úlcera de Marjolin = Carcinoma de Células Escamosas (CEC) em cicatrizes crônicas (queimaduras, osteomielite).

Resumo-Chave

A úlcera de Marjolin é uma forma rara, mas agressiva, de carcinoma de células escamosas (CEC) que se desenvolve em cicatrizes crônicas, especialmente aquelas resultantes de queimaduras antigas, mas também pode ocorrer em outras feridas crônicas como úlceras de pressão ou osteomielite. É crucial suspeitar de malignização em qualquer ferida crônica que não cicatriza ou que apresenta alterações.

Contexto Educacional

A úlcera de Marjolin é uma condição rara, mas clinicamente importante, caracterizada pelo desenvolvimento de um tumor maligno em uma cicatriz crônica, geralmente resultante de queimaduras, mas também podendo surgir em outras lesões crônicas como úlceras de pressão, fístulas de osteomielite, ou locais de vacinação. Foi descrita pela primeira vez por Jean-Nicolas Marjolin em 1828. A importância clínica reside na sua natureza maligna e no potencial de agressividade, muitas vezes com diagnóstico tardio. A fisiopatologia da úlcera de Marjolin envolve a inflamação crônica e o trauma repetido na cicatriz, que podem levar a alterações celulares e genéticas, culminando na transformação maligna. O tipo histológico mais comum é o carcinoma de células escamosas (CEC), embora outros tipos, como o carcinoma basocelular e o melanoma, também possam ocorrer. A lesão geralmente se apresenta como uma úlcera que não cicatriza, com bordas elevadas e evertidas, sangramento fácil e dor. O período de latência entre a lesão original e o desenvolvimento da malignidade pode variar de alguns anos a várias décadas. O diagnóstico precoce é fundamental para um bom prognóstico. Qualquer ferida crônica que não cicatriza, que muda de aspecto ou que apresenta crescimento rápido deve ser biopsiada. O tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica ampla com margens de segurança adequadas, podendo ser necessária reconstrução complexa. O prognóstico depende do tamanho do tumor, profundidade da invasão, presença de metástases linfonodais e tipo histológico. A prevenção envolve o tratamento adequado das queimaduras e o acompanhamento de cicatrizes crônicas.

Perguntas Frequentes

O que é a úlcera de Marjolin e qual sua principal característica?

A úlcera de Marjolin é uma lesão maligna, geralmente um carcinoma de células escamosas, que se desenvolve em cicatrizes crônicas, especialmente as de queimaduras antigas, úlceras de pressão ou osteomielite. Sua principal característica é a malignização de uma ferida previamente benigna e de longa data.

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento da úlcera de Marjolin?

Os principais fatores de risco são a presença de cicatrizes crônicas, especialmente de queimaduras que não foram adequadamente tratadas ou que sofreram inflamação e trauma repetidos ao longo do tempo. O período de latência pode ser de décadas.

Como é feito o diagnóstico e tratamento da úlcera de Marjolin?

O diagnóstico é feito por biópsia da lesão, que confirmará a presença de carcinoma de células escamosas. O tratamento é cirúrgico, com ressecção ampla da lesão e margens de segurança adequadas, podendo ser complementado com radioterapia ou quimioterapia dependendo do estadiamento.

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