Úlcera de Marjolin: Diagnóstico e Manejo de Lesões Crônicas

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 57 anos, vítima de queimadura em fossa poplítea esquerda desde a adolescência, apresentou-se no serviço de cirurgia plástica para avaliar a lesão. Ao exame físico, apresenta-se com lesão vegetante em fossa poplítea, sangrante, com 15 anos de evolução e biópsia da lesão de carcinoma espinocelular. Nesse caso, o diagnóstico mais provável da lesão descrita é:

Alternativas

  1. A) úlcera de Cushing.
  2. B) úlcera de Marjolin.
  3. C) úlcera de Martorell.
  4. D) úlcera de Curling.

Pérola Clínica

Carcinoma espinocelular em cicatriz de queimadura crônica → Úlcera de Marjolin.

Resumo-Chave

A úlcera de Marjolin é um carcinoma espinocelular que se desenvolve em cicatrizes crônicas, especialmente aquelas resultantes de queimaduras antigas. A história de queimadura na adolescência e a lesão vegetante com biópsia de carcinoma espinocelular são altamente sugestivas.

Contexto Educacional

A úlcera de Marjolin é uma forma rara, mas agressiva, de carcinoma espinocelular (CEC) que se desenvolve em cicatrizes crônicas, úlceras, fístulas ou áreas de inflamação de longa data. As cicatrizes de queimadura são o sítio mais comum para o seu desenvolvimento, com um período de latência que pode variar de décadas. A apresentação clínica típica envolve uma lesão vegetante, ulcerada, sangrante e de crescimento progressivo em uma cicatriz antiga. A fisiopatologia envolve a irritação crônica e a inflamação na área da cicatriz, que podem levar à displasia e, eventualmente, à transformação maligna. O diagnóstico é confirmado por biópsia da lesão, que revela carcinoma espinocelular. É fundamental suspeitar dessa condição em pacientes com história de queimaduras antigas que desenvolvem lesões atípicas ou de crescimento rápido em suas cicatrizes. O tratamento da úlcera de Marjolin é predominantemente cirúrgico, com excisão ampla da lesão e margens de segurança adequadas, muitas vezes exigindo reconstrução complexa. O prognóstico pode ser reservado devido à sua natureza agressiva e potencial para metástases. O reconhecimento precoce e a intervenção são cruciais para melhorar os resultados. As úlceras de Cushing e Curling são úlceras de estresse do trato gastrointestinal, e a úlcera de Martorell é uma úlcera hipertensiva, não se encaixando no quadro clínico apresentado.

Perguntas Frequentes

O que é a úlcera de Marjolin?

A úlcera de Marjolin é um carcinoma espinocelular agressivo que se desenvolve em cicatrizes crônicas, úlceras, fístulas ou áreas de inflamação crônica, sendo as cicatrizes de queimadura as mais comuns. Geralmente tem um longo período de latência.

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento da úlcera de Marjolin?

Os principais fatores de risco são cicatrizes de queimaduras antigas, úlceras de pressão crônicas, osteomielite crônica, fístulas e áreas de radiodermite. O tempo de evolução da lesão crônica é um fator crucial.

Como diferenciar a úlcera de Marjolin de outras úlceras?

A úlcera de Marjolin se diferencia pelo seu caráter maligno (carcinoma espinocelular) que surge em uma lesão crônica preexistente, como uma cicatriz de queimadura. Outras úlceras epônimas, como Cushing e Curling, são úlceras de estresse gastrointestinais, e a de Martorell é uma úlcera hipertensiva.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo